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A consciência histórica tradicional

Estratégias de Ensino

A consciência histórica tradicional se esforça em validar no presente as ações e valores constituídos em tempos passados.
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Definida por Jorn Rüsen como uma das manifestações da consciência histórica mais elementares, a consciência histórica tradicional estabelece um tipo de relação com o tempo fortemente marcado pelo sentido da tradição. Por definição, a tradição trata de qualquer ato, costume ou ação que permanece ao longo do tempo e, em suma, tenta desconsiderar as transformações de ordem social, econômica, política e cultural que possam ameaçar a continuidade de algum ato tradicional.

Pensando que a manifestação da consciência histórica se apresenta já em nossas primeiras experiências de vida, a consciência histórica tradicional aparece em vários atos da nossa infância. Estando ainda muito ligados à vivência no âmbito familiar, as crianças costumam querer reproduzir muitos dos atos e palavras que seus pais executam. Ou seja, entendem que as formas de entendimento e orientação no mundo estão centradas na reprodução específica daquilo que outros fizeram.

Quando passamos ao âmbito histórico, onde experiências mais distantes e envolvendo outras culturas entram em jogo, percebemos que a consciência histórica de ordem tradicional aparece como chave interpretativa do passado. Um exemplo comum disso aparece quando aprendemos que os gregos fundaram a democracia. Percebendo que, no presente, exista vários governos democráticos, tendemos que nosso regime seria uma cópia do modelo grego.

Desse modo, notamos que experiências específicas do passado são colocadas como um elemento que ainda opera ativamente no presente. Por outro lado, no que tange às perspectivas do futuro, a consciência histórica tradicional não estipula ações preocupadas em romper com tais tradições. Feitas essas considerações, quais seriam as implicações e relações desse tipo de consciência histórica em sala de aula?

Em termos gerais, percebemos que os alunos muitas vezes manifestam formas de consciência histórica tradicional ao julgarem que os valores que se reconhece na atualidade seriam os mesmos do passado. Dessa forma, muitas vezes sugerem uma ótica de homem universal que deveria ser rompida com maiores espaços de diálogo e interpretação em sala de aula. Ao mesmo tempo, o auxílio de outras áreas do conhecimento humano para expormos os limites desse tipo de interpretação do passado se faz necessária.


Por Rainer Gonçalves Sousa
Colaborador Canal do Educador
Graduado em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG
Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG

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