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A linguagem figurada: uma metodologia eficiente

Estratégias de Ensino

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A linguagem figurada se revela como uma metodologia bastante eficaz
A linguagem figurada se revela como uma metodologia bastante eficaz

Linguagem figurada... estamos diante de um assunto que nos permite trabalhar os diversos conteúdos que integram as disciplinas relacionadas à Literatura, Redação e Língua Portuguesa. Eis assim um fator que faz toda a diferença: a importância de capacitar o aluno a ler nas entrelinhas, a desvendar acerca do que está atrás do discurso explicitamente demarcado.

Nos discursos publicitários, e sobretudo na Literatura, é impossível não nos depararmos com mensagens norteadas por um duplo sentido. Daí a importância de fazer com que os educandos estabeleçam familiaridade com a noção de significante e significado. Para tanto, o educador poderá se valer do texto “Semântica”, conduzindo-os a perceber que as palavras estão relacionadas a uma representação mental que fazemos delas, em consonância com a representação propriamente dita, materializada por meio das letras e fonemas. 

Nesse sentido, no intuito de trabalhar questões voltadas para a gramática, sobretudo no que diz respeito à pontuação, bem como à Literatura, eis um texto bastante sugestivo, intitulado “Questão de pontuação”, sob a autoria de João Cabral de Melo Neto:

Questão de Pontuação

Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):

o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto-final.

João Cabral de Melo Neto

Num primeiro instante, torna-se imperioso fazer com que os alunos retomem a noção relacionada aos sinais de pontuação – noções estas imprescindíveis nas habilidades preconizadas pela linguagem escrita.   

Em seguida, algumas questões podem ser levantadas, deixando a critério dos alunos relatarem seus posicionamentos, podendo tal discussão ser alvo até de um debate. Entre os pontos abordados estão:

* Homem, no sentido do poema, tem caráter genérico ou específico?

* Por que cabe a ele pontuar a própria vida? O que tem a ver a pontuação com as atitudes humanas?

* Qual seria o motivo de ele viver em ponto de exclamação? O que representa esse sinal? E mais: por que ele tem alma dionisíaca? Talvez uma pesquisa acerca de quem foi Dionísio venha a calhar muito bem nesse momento.

* Qual a razão de ele ter que se equilibrar entre vírgulas, mesmo porque na oralidade denota uma pausa? 

* Teria uma crítica embutida no verso que retrata a ideia de que na política ele vive sem pontuação? Outro passo para dar seguimento ao debate fazendo com que os educandos demonstrem sua visão de mundo e, consequentemente, aprimorem seu poder de argumentação. 

* O ponto-final... que finalidade ele tem na escrita? Por que a única atitude inaceitável do homem é que ele use a pontuação fatal, justamente demarcada por esse sinal? Será que eles irão compreender que é à morte que o poeta faz referência?

Concluídas as questões ora abordadas, torna-se relevante que o educador mais uma vez reforce a ideia de que precisamos compreender a essência da mensagem que nos é transmitida, não importa de que maneira ela seja veiculada. Tal procedimento proporciona também a habilidade em estimulá-los a atividade reflexiva – fator decisivo para os estudos literários.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

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