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Canto Gregoriano e cultura medieval

Estratégias de Ensino

O Canto gregoriano foi uma das principais formas de expressão musical na Idade Média, demonstrando a influência católica sobre a cultura medieval.
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Apesar dos diversos estudos historiográficos realizados para descontruir o conceito renascentista de Idade das Trevas dado à Idade Média, ainda é muito comum apontar o obscurantismo religioso cristão-católico como um impedimento de criações culturais durante o período medieval. Uma forma de superar a visão da Idade das Trevas pode ser encontrada no estudo da cultura medieval, nomeadamente através do estudo do Canto Gregoriano.

O objetivo da aula que aqui é proposta é estudar tanto parte da história da música ocidental quanto parte da cultura medieval e religiosa propagada pela Igreja Católica. Uma atuação conjunta com professores da disciplina de artes pode enriquecer o conteúdo a ser trabalho com os estudantes.

Apesar de algumas divergências sobre a origem do Canto Gregoriano, algumas vertentes historiográficas o apresentam como decorrente da tradição judaica da salmodia, que consistia no cântico dos Salmos presentes no Antigo Testamento. A Igreja Católica teria utilizado a salmodia judaica para a criação de novos cânticos. A utilização de algumas práticas rituais pagãs também estaria na origem do Canto Gregoriano.

Tal situação pode se tornar ainda mais clara ao se levar em consideração que o papa Gregório Magno, ou Gregório I, não teria criado esse tipo de canto que leva seu nome, mas sim realizado, no século VI, uma compilação de cânticos que existiam tradicionalmente nas diversas regiões do que hoje chamamos de Europa.

O intuito dessa compilação era também unificar as práticas rituais da Igreja Católica, com o objetivo de fortalecer sua doutrina. Isso possivelmente explica o fato de o Canto Gregoriano ter sido colocado como o único possível de ser utilizado nos rituais católicos durante séculos. Tais informações podem ser um ponto de partida para o professor construir a introdução para a aula proposta.

O Canto Gregoriano é um tipo de canto litúrgico monofônico, realizado em uníssono por um coro, geralmente praticado por monges, acompanhando sua melodia as palavras bíblicas. Nesse tipo de canto não há nenhum tipo de acompanhamento instrumental ou, no máximo, o acompanhamento de um órgão.

A música era entendida no Canto Gregoriano como uma forma de demonstrar o amor a Deus, uma expressão da fé dos católicos através desse tipo de arte. Após a imposição da obrigatoriedade da utilização do Canto Gregoriano, o papa Gregório I estimulou a criação das Scholae Cantorum, ou escola de cantores, onde o ensinamento dessa prática musical era realizado à viva voz, demandando um longo tempo para o aprendizado.

A prática do Canto Gregoriano ao longo dos séculos dentro da Igreja Católica inseriu-o na cultura medieval, demonstrando que apesar da afirmação de que a Idade Média era uma Idade das Trevas, houve uma produção cultural que não está ligada a qualquer “escuridão”.

Antifonário do século X da Aquitânia
Antifonário do século X da Aquitânia

Como forma de desenvolvimento dessa proposta de aula, o professor(a) de História, em conjunto ao professor(a) de Artes, pode dividir as turmas em alguns grupos (de acordo com o tamanho de cada uma), que ficariam responsáveis pela pesquisa sobre três aspectos do assunto: a) o desenvolvimento histórico do Canto Gregoriano; b) as principais características estéticas e técnicas desse tipo de canto; c) e a apresentação de corais e cantos distintos do Canto Gregoriano, possibilitando assim aos alunos realizar comparações e perceber as diferenças entre as formas de expressão de cânticos.

Por fim, após a pesquisa e do estudo do Canto Gregoriano, os professores podem formar com toda a turma um grupo de Canto Gregoriano, escolher ou compor uma canção e apresentar o resultado para toda a escola.


Por Tales Pinto
Mestre em História

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