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Cultura africana no espaço geográfico

Estratégias de Ensino

A cultura africana está arraigada em nossa matriz cultural graças aos processos de colonização e escravidão que marcaram nossas origens.
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O Brasil, no período colonial, foi o país que recebeu o maior quantitativo de imigrantes por ocasião do processo de escravidão de negros africanos realizado pelos povos europeus. Por esse motivo, carrega-se em boa parte de nossa cultura uma considerável carga semântica que advém das senzalas e dos quilombos. Em face dessa questão, era de se esperar que essa dinâmica cultural também se manifestasse no espaço geográfico.

Diante desse fator e considerando a promulgação da lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africana no ensino básico, o professor de Geografia pode encontrar nesse tema uma importante oportunidade de fazer com que seus alunos visualizem a herança cultural africana na sociedade atual.

Para trabalhar com esse tema, o professor pode se valer da presente proposta para elaborar uma aula sobre o assunto. Assim, oferecemos as seguintes recomendações:

Primeiramente, o professor pode iniciar partindo do processo de autocrítica juntamente à turma. Realize algumas perguntas mais gerais sobre o que eles acham da cultura africana ou quais elementos africanos eles conseguem imaginar como estando presentes na sociedade. A reação e as respostas dos alunos devem ser observadas atentamente.

Em seguida, o professor pode elaborar questões mais específicas, algumas relacionadas a práticas religiosas, como o Candomblé e a Umbanda, e sobre a existência de quilombos ainda nos dias atuais. O professor deve pedir a opinião deles sobre o assunto e, se possível, realizar um debate, procurando convencê-los de que a nossa dinâmica cultural perpassa por diversos valores, dentre eles, os de matriz africana.

Como lição de casa, sugerimos que o professor divida a turma em grupos, com o objetivo de realizar uma pesquisa para que eles encontrem elementos da cultura africana no espaço da sociedade onde vivem. Eles podem fotografar cerimônias de Candomblé ou Umbanda, rodas de capoeiras ou registrar expressões da língua portuguesa advindas da cultura africana. Após a realização da pesquisa, os grupos podem expor em forma de painel as imagens e elementos encontrados. Outros elementos como culinária e moda afro-brasileira também podem ser explorados.

Outra alternativa é realizar um debate a respeito do racismo institucional no Brasil. Como elemento norteador, o professor pode sugerir a leitura dos seguintes textos jornalísticos que exemplificam a questão:

Brancos ocupam 4 vezes mais cargos executivos do que negros, diz Seade – Folha de S. Paulo, 19/11/2007.

Negros morrem mais de homicídio; brancos, de doença – Folha de S. Paulo, 20/11/2007

O objetivo desse debate deverá ser o de propiciar uma discussão que leve os alunos a entenderem a herança da escravidão no país, que colocou o negro na condição de inferior ao homem branco, como se possuísse um baixo nível de inteligência.

É importante salientar também que o racismo não se limita a uma questão individual, como práticas de ofensas e calúnias contra os negros. Trata-se também de uma questão estrutural, uma vez que os negros no Brasil possuem, estatisticamente, as piores condições de renda, emprego, moradia, educação e saúde.


Por Rodolfo Alves Pena
Graduado em Geografia

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