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Filosofia

Estratégias de Ensino

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Muitas vezes nós, professores de Filosofia, queremos diversificar nossas abordagens de ensino, mas não fazemos por uma série de condições adversas.

A primeira delas é o curto tempo que temos para ministrar o nosso conteúdo. Na maior parte das escolas brasileiras, só há uma aula de Filosofia por semana e o tempo dedicado a ela raramente ultrapassa os 50 minutos, com exceção de algumas escolas particulares e de alguns Institutos Federais. Outra dificuldade que enfrentamos é a falta de recursos para a realização de atividades. Isso se agrava quando as condições econômicas dos nossos alunos não são o suficiente nem para uma alimentação diária de qualidade, ainda mais para adquirir materiais.

Também enfrentamos a falta de interesse dos alunos. Muitos pensam que Filosofia é um “conteúdo de menor importância” e priorizam os conteúdos mais cobrados nos vestibulares. Há também aqueles alunos que são trabalhadores e não dispõem de tempo para a realização de atividades em casa e, em sala de aula, têm os ânimos comprometidos pelo cansaço.

Uma dificuldade é imposta pela própria “natureza” da Filosofia e da abordagem comumente adotada pelos livros didáticos. O estudo de Filosofia ainda depende de leitura – e de uma leitura que apresenta um nível de dificuldade que pode fazer com que os alunos considerem-na desinteressante. Despertar um aluno de Ensino Médio para o prazer de se estudar algo que, à primeira vista, é cansativo, “pesado” e inútil requer grande empenho dos professores. Ainda disputamos a atenção dos alunos com uma série de estímulos – redes sociais, cinema, música, séries e jogos on-line, por exemplo –, atividades muito mais atrativas do que a leitura de um texto clássico.

Uma das maiores dificuldades é a falta de preparo didático com a qual saímos, muitas vezes, de nossas licenciaturas. Mesmo que tenhamos a oportunidade de realizar estágios durante a graduação, quando vamos para a sala de aula é que temos a real noção do que é estar à frente de um processo de ensino. Não há uma fórmula mágica para tornar-se um bom professor, cada turma – ou melhor, cada aluno – é um desafio novo que precisamos enfrentar com coragem e disposição. Conhecer o conteúdo que vamos ministrar é o pressuposto básico de uma boa aula, mas acumular conhecimento não nos garante que saibamos transmiti-lo. É preciso estar atento às produções acadêmicas a respeito do ensino de Filosofia para que coloquemos nossa prática docente em perspectiva e tentemos aperfeiçoá-la. Leva tempo – e o passar do tempo também não é garantia de excelência didática. Precisamos refletir continuamente sobre a forma como ensinamos ou o tempo decorrido servirá apenas para cristalizar maus hábitos.

No entanto, não temos a “obrigação” de fazer com que nossas aulas sejam sempre inovadoras, nem de simular que somos animadores de programas de auditório. O método expositivo e a leitura em conjunto de textos clássicos são ferramentas muito eficazes para o estudo de Filosofia. Além disso, alguns conteúdos, mais densos, não nos proporcionam muitas possibilidades didáticas. E tudo bem que seja assim. É importante que os estudantes consigam construir, no decorrer do Ensino Médio, um conhecimento básico a respeito dos principais temas filosóficos e possam, também, valer-se daquilo que foi aprendido para dar uma base sólida aos seus pensamentos. Isso não nos exime da responsabilidade de tentar nos fazer compreendidos: ensino é, fundamentalmente, comunicação. Se não estamos nos comunicando de maneira eficaz com os nossos alunos, o processo está comprometido.

Se a exposição do conteúdo muitas vezes não nos permite grandes inovações, a avaliação pode ser mais atrativa. Para isso, precisamos considerá-la como uma etapa da construção do conhecimento e despi-la do caráter punitivo com o qual tem sido revestida desde a chegada dos Jesuítas no Brasil. O momento de avaliação é um momento oportuno para que vejamos as falhas das estratégias de ensino que adotamos e os objetivos que não foram totalmente alcançados. Punir os alunos porque não compreenderam bem um conteúdo ou porque não realizaram bem uma atividade, como se apenas eles fossem os responsáveis pelo processo de aprendizado, sem diagnosticar as causas que levaram a isso, não nos ajuda a promover uma mudança de comportamento mais profunda e que tenha um real impacto positivo.

Uma atividade avaliativa por aula, por mais simples que seja, permite-nos fazer esse acompanhamento e reformular as estratégias de ensino antes que seja “tarde demais”, antes que não nos reste nada a fazer além de atribuir uma nota baixa e torcer para que o aluno, em um passe de mágica, recupere-se no bimestre seguinte.

Aqui, nós vamos sugerir métodos avaliativos e métodos de transmissão de conteúdo que talvez não sejam viáveis para a realidade escolar de todos os professores. Tentamos, no entanto, sugerir atividades que sejam de fácil implementação e que não necessitem de muitos recursos. Cada professor, como maior conhecedor de suas turmas, é a pessoa mais indicada para pensar em métodos e avaliações para as suas aulas. Esperamos que os professores e as professoras possam inspirar-se naquilo que apresentamos e possam desenvolver suas próprias atividades, fazendo as alterações necessárias às suas realidades.


Por Wigvan Pereira
Graduado em Filosofia

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