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O tema terrorismo nas aulas de História

Estratégias de Ensino

O terrorismo assumiu atualmente lugar privilegiado no discurso da mídia e o professor de História passou a exercer papel fundamental para abordar tal temática na escola.
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O termo terrorismo nas últimas décadas do século XX e, principalmente, no início do século XXI, após os ataques terroristas às “Torres gêmeas” do World Trade Center, na cidade de Nova York, nos EUA, em setembro de 2001, tornou-se uma palavra presente na mídia e recorrente entre a população mundial ocidental.

Porém, mesmo com o boom de informações repassadas pelos telejornais, internet, telefone, entre outros, sobre o que é terrorismo, atentado ou ataque terrorista, não podemos nos deixar levar por generalizações conceituais e pela banalização do mal produzida pelo discurso da imprensa. Sendo assim, é dever do professor discutir a temática no meio escolar, principalmente do professor de História, que tem o dever de elucidar para os seus alunos, por meio de reflexões e debates, a historicidade do termo terrorismo.

Segundo alguns estudiosos, o terrorismo teve início no século I d. C., quando um grupo de judeus radicais, chamados de sicários (Homens de punhal), atacava cidadãos, judeus e não judeus que tal grupo considerava a favor do domínio romano.

Atualmente, uma definição recorrente de terrorismo, segundo Silva e Silva (2005:397) seria a “ação armada contra civis; é a violência usada para fins políticos, não contra as forças repressivas de um Estado, mas contra seus cidadãos”. Portanto, o principal alvo terrorista segundo essa definição seriam os cidadãos civis de uma sociedade.

Existe uma classificação atual que diferencia o terrorismo em quatro definições: 1º - o terrorismo revolucionário; 2º - o terrorismo nacionalista; 3º - o terrorismo de Estado; e 4º- o terrorismo de organizações criminosas. Esclarecer e debater essas diferenças em sala de aula é de fundamental importância para questionar a visão simplista e ideológica sobre o terrorismo reproduzida pela mídia.

Por terrorismo revolucionário entendemos as ações, principalmente no século XX, de grupos ligados às tradições socialistas marxistas (Leninista, Stalinista e Trotskista). Esses grupos que se identificavam com a causa revolucionária defendiam a ideia de ações terroristas (luta armada) como meio para alcançarem a revolução socialista.

O terrorismo nacionalista foi fundado por grupos que desejavam formar um novo Estado-nação dentro de um Estado já existente (separação territorial), como no caso do grupo terrorista separatista Eta, na Espanha: o povo Basco não se identifica como espanhol, mas ocupa o território espanhol e é submetido ao governo da Espanha.       

Outra definição seria o terrorismo de Estado, que se configurou no terrorismo praticado pelos Estados Nacionais a partir de duas diferentes ações: a primeira ação seria o terrorismo praticado contra a sua própria população, como nos exemplos dos Estados Totalitários Fascistas e Nazistas (Itália e Alemanha, respectivamente) no início do século XX. A segunda ação seria a luta contra a população civil estrangeira, muito praticada nos EUA (xenofobismo).

A última definição seria o terrorismo praticado por grupos criminosos, como no caso da máfia italiana (Camorra) e do Cartel de Medellín, na Colômbia, que sempre praticam ações por interesses econômicos individuais ou pelo grupo ou associação.

Para o professor de História lidar com a temática sobre o terrorismo em sala de aula e não ser partidário de nenhuma causa, é fundamental a ampliação das leituras sobre o tema a partir de diferentes abordagens. Primeiro, o professor deve questionar o porquê da existência do terrorismo. Quais as razões dos conflitos políticos? E por que as pessoas matam e morrem por determinadas causas?  

Logo após essas primeiras problematizações, o professor poderá abordar o tema terrorismo sob o viés de um estudioso, sempre procurando romper com a visão sensacionalista e ideológica da mídia. Sendo assim, o principal objetivo do professor será demonstrar os jogos de poder e interesses travados entre diferentes grupos sociais e mostrar os díspares discursos acerca do terrorismo.

Leandro Carvalho
Mestre em História

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