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Shakespeare nas aulas de História

Estratégias de Ensino

A obra de Shakespeare pode ser um recurso valioso nas aulas de História porque reflete toda a ambiência da época em que ele escrevia, a Inglaterra Elisabetana.
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O escritor inglês William Shakespeare (1564-1616) é tido por muitos críticos literários e historiadores da Literatura como o maior dos escritores modernos, tanto por conta da excelência de suas peças de teatro quanto pelo brilhantismo de seus poemas. A obra de Shakespeare, sobretudo sua obra teatral, não interessa, no âmbito escolar, apenas às aulas de literatura propriamente ditas. Mas interessa, e muito, a disciplinas como História, Sociologia, Filosofia e mesmo Geografia. Isso porque Shakespeare soube como poucos reinterpretar temas históricos e compreender a sociedade e a mentalidade de sua época.

Especificamente para aulas de História, as peças de seus dramas históricos, como Júlio César ou Antônio e Cleópatra, são de grande proveito, haja vista que apresentam um viés interpretativo muito particular da história romana e que revela mais sobre o período em que Shakespeare escrevia (a Era Elisabetana da Inglaterra e o Renascimento) do que propriamente sobre a Roma antiga. O professor de História do Ensino Médio pode selecionar trechos dessas duas peças e elaborar uma aula sobre Roma Antiga que tenha espaço para a discussão da interpretação shakespeariana da História, ou poderia, ao contrário, selecionar os mesmos trechos e explorar a repercussão e o grande interesse que se tinha por dramas históricos na Era Elisabetana, dando uma aula sobre esse período da história da Inglaterra.

Além das peças históricas, suas tragédias e comédias também servem bem às aulas de História. É o caso de Romeu e Julieta, Macbeth e Hamlet, que, além de explorarem densamente temas profundos que dizem respeito à natureza humana, também são fruto de pesquisas e leituras que Shakespeare desenvolveu com base em tradições diversas, lendas, contos populares etc. Seria interessante se o professor de História se associasse ao professor de Literatura do Ensino Médio e, juntos, organizassem, dentro de seu programa de aulas, um conjunto de três ou mais aulas que seriam ministradas pelos dois professores para duas (ou mais) turmas de um mesmo ano (1º, 2º ou 3º ano do Ensino Médio). Esse conjunto de aulas teria o objetivo da dar a oportunidade prévia aos alunos de lerem, na íntegra, uma das peças de Shakespeare citadas no início deste parágrafo e de perceberem, mediante a aula expositiva dos professores, as estratégias e efeitos estilísticos e teatrais das peças, bem como o contexto histórico e as peculiaridades da ambiência da Inglaterra Elisabetana.

Outra sugestão é explorar filmes que já foram feitos com base em obras shakespearianas. Há vários, desde aqueles produzidos por Orson Welles, como Macbeth (de 1948), até comédias românticas, como Shakespeare apaixonado (de 1998), dirigido por John Madden. Mas seria necessária a confrontação das obras cinematográficas com a força dramática das peças de Shakespeare, fato que poderia demandar um tempo de que o professor não dispõe. Entretanto, há a opção do recorte tanto de trechos do filme quanto de trechos das peças, que, a despeito de não elucidarem a totalidade das obras, ao menos fornecem elementos que alargam a compreensão dos alunos.


Por Me. Cláudio Fernandes

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