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Sugestão de aula sobre Spix e Martius

Estratégias de Ensino

Nossa sugestão de aula de História de hoje se volta para Spix e Martius, naturalistas alemães que estiveram no Brasil na época de Dom João VI.
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Quando o professor de história buscar explorar algum modelo novo de aula, sobretudo sobre história do Brasil, ele precisa ter em mente que o aluno quer ser instigado a apreender informações que vão além do que ele pode compreender sozinho. Então, ao professor cabe a tarefa de propor exercícios de interpretação de documentos para que ele experimente um pouco do que é próprio dos métodos utilizados por um historiador. Esses exercícios podem ser feitos a partir de documentos escritos, filmes, imagens etc. Aqui, propomos uma análise de trechos da obra dos naturalistas alemães Carl P. Von Martius e Johann B. Von Spix, intitulada Viagem pelo Brasil.

A obra Viagem pelo Brasil foi publicada por Spix e Martius em 1823, na cidade de Munique. Nela estão contidas as notas dos dois pesquisadores sobre os aspectos gerais da natureza brasileira, como a fauna e a flora, bem como sobre os aspectos gerais da sociedade que aqui havia no início do século XIX. Os dois pesquisadores vieram para cá na época em que a Corte portuguesa aqui estava por motivo da fuga das guerras napoleônicas que assolavam a Europa. D. João VI, príncipe regente de Portugal, estando assentado no Brasil, tratou de desenvolver estudos culturais e científicos na colônia. Para tanto, contratou expedições de artistas e naturalistas europeus para que aqui realizassem seus estudos.

Ao longo do livro, há passagens como a seguinte:

Quando, no dia seguinte, cavalgamos pelo cerrado […] fomos subitamente surpreendidas por uma banda de índios nus, homens e mulheres, que vinham em completo silêncio pela estrada […] era de horror na nossa impressão, à vista destes homens, que, na sua aparência feia, quase não têm traço de humanidade. Indolência, embotamento e rudeza animal, estampam-se-lhes nos rostos quadrangulares, achatados, nos pequenos olhos esquivos; voracidade, preguiça e grosseria, patenteiam-se-lhes nos lábios inchados, na barriga, assim como em todo o torso troncudo e no andar de passos curtos.” [1]

A princípio, tal descrição sobre os índios provoca-nos estranheza, dada a nossa capacidade atual de compreender e entender os costumes dos nativos indígenas. Mas para tais pesquisadores, a cultura indígena provocava espanto e demandava um tipo de esforço reflexivo que, em dada medida, eles não podiam ter à época.

Esse espanto, ou choque, com a cultura alheia, considerada um estado de natureza selvagem, pode ser explorado pelo professor de história quando for tratar do período em que o Brasil estava sob o domínio de Dom João VI. Além de ser um ponto pouco abordado sobre esse período, constitui também um tema de matiz antropológico, o que pode suscitar discussões em conjunto com outros professores, como os de sociologia e de biologia.

NOTAS

[1] SPIX, J B. Von; MARTIUS, C.F. P. Von. Viagem pelo Brasil – 1817-1820. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1981, v. 2. p. 55.


Por Me. Cláudio Fernandes

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