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Relações de Gênero e Escola

Ética

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No livro organizado por Julio Groppa Aquino, intitulado “Diferenças e preconceitos na escola: alternativas teóricas e práticas” (1998), as pesquisadoras Cláudia Vianna e Sandra Ridenti explanam sobre as relações de gênero e escola, das diferenças ao preconceito, e revelam que, em nossas escolas, e nos estudos sobre educação, ainda é comum a utilização indistinta de termos aparentemente neutros, masculinos e femininos, sem nenhum critério definido.

Observam também que, algumas vezes, o estereótipo aparece como uma forma rígida, anônima, reproduz imagens e comportamentos e separa os indivíduos em categorias.

Entretanto, afirmam que as diferenças não devem ser necessariamente fontes de estereótipos. Mas quando ignoramos essas diferenças ou atribuímos a elas valores permanentes sem atentar para as possibilidades de ruptura e de construção de novas definições do que é socialmente concebido como masculino e feminino, corremos o risco de reforçar a desigualdade de gêneros.

Em nossa sociedade, por exemplo, as autoras apontam que a diferença entre homens e mulheres muitas vezes é hierarquizada, mantendo situações nas quais as mulheres tendem a ocupar um lugar inferior. Ou então, a diferença é utilizada como expressão de vitimização para favorecer interesses individuais.

O problema do preconceito de gênero, que afeta meninos e meninas, homens e mulheres, nas salas de aula e nos espaços escolares, tem base em um sistema educacional que reproduz, em alguns momentos, as estruturas de poder, de privilégios de um sexo sobre o outro em nossa sociedade e aparecem até mesmo nos livros didáticos e nas relações escolares, afirmam.

Para as pesquisadoras, o ambiente escolar pode reproduzir imagens negativas e preconceituosas, por exemplo, quando professores relacionam o rendimento de suas alunas ao esforço e ao bom comportamento, ou quando as tratam apenas como esforçadas e quase nunca como potencialmente brilhantes, capazes de ousadia e liderança. O mesmo pode ocorrer com os alunos quando estes não correspondem a um modelo masculino predeterminado.

Contudo, a análise elucida o fato de que a escola também pode reproduzir novos valores e atitudes, além de estereótipos e preconceitos. Com isso, a escola não só recria em seu interior preconceitos de gênero como também prepara garotas / mulheres para posições mais competitivas no mercado de trabalho, bem como estimula garotos / homens para assumir funções de provedores de cuidado.


Eliane da Costa Bruini
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em Pedagogia
Pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo - UNISAL

 

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