O cristianismo e as religiões pagãs


O contato entre o cristianismo e as religiões pagãs está além da simples lógica da oposição.


Ao estudar a passagem entre a Antiguidade e a Idade Média, muitos professores destacam sobre como a expansão do cristianismo teve fundamental importância na diferenciação entre esses dois períodos históricos. De fato, o ideário cristão foi responsável pela apreensão de uma nova forma de vida. O monoteísmo e a igualdade entre os homens seriam valores que colocariam em questão o modo de vida levado pela população romana.

Não por acaso, durante os primeiros séculos da Era Cristã, os adeptos dessa nova crença foram sistematicamente perseguidos pelas autoridades romanas. Quando capturados, eram submetidos às mais terríveis torturas. Muitas vezes, os cristãos integravam os espetáculos desenvolvidos nas arenas romanas. Obrigados a lutar contra gladiadores ou animais, os cristãos eram alvo de uma intensa repreensão.

Contudo, mediante as transformações do Império e o próprio ideal expansionista de seus seguidores, o cristianismo foi superando essa condição marginal. Um dos mais significativos marcos dessa transformação ocorreu no ano de 313, quando o imperador Constantino permitiu que o cristianismo fosse livremente praticado. Décadas mais tarde, o imperador Teodósio fez com que o cristianismo fosse a religião oficial de todo o Estado romano.

Porém, isso não significa que a vida religiosa dos extensos territórios romanos se reconfigurava radicalmente da noite para o dia. Para demonstrar tal ponto, o professor pode contar com o auxílio do depoimento do historiador Carlos Roberto Figueiredo Nogueira, autor do livro “Bruxaria e História”. Em uma citação bastante simples, ao discutir a expansão do cristianismo, o autor relata que:

“A conversão da Europa (ao cristianismo), durante a Alta Idade Média, se desenvolve sob o signo do conflito entre potências: o duelo entre Cristo e as divindades pagãs.”


Por meio dessa simples frase, o professor pode dizer que essa situação de conflito nos mostra que o cristianismo teve um convívio próximo com outras religiões da época. Mais do que isso, a conversão da população pagã só seria possível através de uma intensa negociação de símbolos, narrativas e concepções que nos mostram que o cristianismo, em uma época onde esteve cercado por dilemas, dialogou com este outro campo religioso.

Visando demonstrar essa faceta não muito popular da História do Cristianismo, o professor pode elencar uma série de feriados e figuras lendárias que podem justamente destacar esse ponto. Como sugestão, pesquisas sobre a comemoração do Natal, o feriado de Carnaval e a Páscoa podem ser alguns dos temas que permitam esse tipo de trabalho. Após distribuir os temas, o professor pode organizar os grupos para que apresentem os resultados alcançados com o trabalho.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola


Fonte: Brasil Escola - http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/o-cristianismo-as-religioes-pagas.htm