Diversas atividades podem ser realizadas no Dia do Folclore. A seguir, confira sugestões de especialistas.
O Dia do Folclore é celebrado em 22 de agosto. A escola é um espaço em que a comemoração da data se torna uma oportunidade de conectar os estudantes à diversidade folclórica brasileira e à compreensão de sua importância.
Para além de uma escolha pedagógica, o aprofundamento do tema do folclore em sala de aula é um dever ético e constitucional relacionado às diretrizes de valorização da nossa pluralidade, acredita Milena Fiuza, diretora pedagógica do Sistema Positivo.
Ao repetir o folclore de modo superficial e caricato, a escola corre o risco de repercutir e de perpetuar, mesmo que sem intenção, preconceitos que já estão enraizados socialmente. O professor possui o papel de filtrar o trabalho pedagógico com a temática e garantir que a aula seja um espaço de respeito e criticidade, argumenta Milena.
Para elaborar e realizar aulas que fogem do óbvio e que abraçam a diversidade cultural brasileira, é preciso unir criatividade e conhecimento. Segundo Milena, trabalhar com os mitos sob novas perspectivas é uma atividade ideal para desconstruir visões estereotipadas e para humanizar narrativas que herdamos de tradições orais indígenas e afro-brasileiras, por exemplo.
A seguir, confira atividades que os professores podem realizar em diferentes etapas do ensino para o Dia do Folclore, segundo Milena Fiuza, diretora pedagógica do Sistema Positivo, e Maria Elba Soares, especialista de soluções educacionais da Arco Educação.
1. Baú das Miudezas de Cascudo
Inspiração: Câmara Cascudo costumava recolher depoimentos, ditados e pequenos objetos que contavam a história do cotidiano brasileiro.
Como fazer: O professor apresenta um baú (ou caixa decorada) contendo objetos que despertem curiosidade: uma pena, uma carapuça vermelha, uma semente, uma garrafa com areia etc. Cada criança escolhe um objeto e, coletivamente, cria uma narrativa relacionada a uma lenda ou a um personagem do folclore brasileiro.
Passo a passo para aplicação:
Prepare previamente um baú com objetos variados.
Organize a turma em roda.
Permita que cada criança escolha um objeto sem explicações iniciais.
Estimule perguntas sobre a origem do objeto.
Construa coletivamente uma narrativa ligada ao folclore.
Registre a história em cartaz ou caderno coletivo.
Socialize as produções e promova uma roda de conversa.
Essa é uma atividade que envolve oralidade, imaginação, produção de narrativas e coesão textual.
2. Mapa dos Nossos Quintais
Inspiração: Pesquisas que mostram como as lendas se transformam em diferentes regiões do país.
Como fazer: Solicitar que cada estudante pesquise uma lenda de sua região ou de outra parte do Brasil e a leve para a sala de aula. Em um grande mapa do Brasil, os alunos registram as histórias pesquisadas, localizando-as geograficamente.
Passo a passo para aplicação:
Solicite a pesquisa antecipadamente.
Disponha um mapa grande do Brasil.
Cada estudante apresenta sua lenda.
Localize a lenda no mapa.
Discuta semelhanças e diferenças.
Monte um mural coletivo.
Essa é uma atividade que envolve cartografia afetiva, valorização da diversidade cultural e ancestralidade.
Inspiração: Brinquedos tradicionais brasileiros e as memórias das brincadeiras vividas por diferentes gerações.
Como fazer: Pesquisar brinquedos antigos com familiares, confeccionar réplicas com materiais simples ou reutilizáveis e organizar um museu para apresentar os brinquedos, suas histórias e suas formas de brincar à comunidade escolar.
Passo a passo para aplicação:
Converse com a turma sobre os brinquedos e sobre as brincadeiras.
Oriente os estudantes a entrevistar pais, avós ou outros familiares para descobrir quais brinquedos faziam parte de suas infâncias.
Solicite que cada estudante construa em família um brinquedo e anotem como ele funciona.
Produza uma ficha explicativa para cada brinquedo, contendo nome, origem, materiais utilizados, modo de brincar e memória compartilhada pela família.
Organize o espaço do Museu dos Brinquedos de Outrora, distribuindo as produções em mesas, em painéis ou em estações temáticas.
Prepare os estudantes para explicar aos visitantes como o brinquedo foi pesquisado, confeccionado e utilizado nas brincadeiras.
Elabore, com a turma, convites e cartazes para convidar famílias, outras turmas, professores e funcionários da escola.
Realize a visitação ao museu, com os estudantes atuando como monitores e demonstrando o funcionamento dos brinquedos.
Essa é uma atividade que envolve pesquisa, memória familiar, oralidade, produção escrita e valorização da cultura do brincar.
7. Caderno de Prosa e Sabença
Inspiração: Literatura oral estudada por Câmara Cascudo.
Como fazer: Entrevistar familiares para registrar ditados populares, histórias e conselhos, ilustrando seus significados.
Passo a passo para aplicação:
Envie roteiro de entrevista.
Reúna as entrevistas.
Cole e ilustre os registros.
Organize um caderno coletivo.
Leia os registros para a turma.
Essa é uma atividade que envolve fortalecimento dos vínculos familiares, da escrita e da tradição oral.
8. Cantigas de Roda e a Dança do Tempo
Cirandas podem ser realizadas em momento de aula no Dia do Folclore.
Como fazer: Produzir uma radionovela ou um podcast com narradores, personagens e efeitos sonoros.
Passo a passo para aplicação:
Escolha a história da cultura popular.
Distribua papéis.
Ensaiem leitura e efeitos.
Grave o episódio.
Ouça coletivamente e avalie.
Essa é uma atividade que envolve leitura expressiva, trabalho em equipe e tecnologias digitais.
10. A Festa das Frutas e os Sabores da Terra
Inspiração: Culinária como patrimônio cultural.
Como fazer: Organizar um piquenique com receitas tradicionais, em que cada criança apresenta a história do alimento compartilhado.
Passo a passo para aplicação:
Combine os alimentos com antecedência.
Pesquise a origem das receitas.
Organize o espaço.
Cada criança apresenta seu prato.
Realize a partilha.
Finalize com registro fotográfico, escrito ou desenho.
11. Entrevista com familiares e produção de um almanaque dos saberes da turma
Inspiração: O folclore também é aquilo que vivemos em casa: a receita da avó para curar resfriado, a “advinha” que o pai conta, a brincadeira de rua que o tio jogava.
Como fazer:
Propor uma lição de casa em que os alunos devem entrevistar um familiar mais velho ou um vizinho sobre três itens:
uma brincadeira da infância deles;
uma comida típica da região de origem;
uma superstição ou ditado popular que eles utilizam.
Produzir um “Almanaque de Saberes da Nossa Turma” com todas essas informações.
Circular esse livro pelas casas dos estudantes para que as famílias vejam como suas próprias histórias fazem parte da cultura do país.
Segundo Milena, ao trazer a cultura familiar para o centro da aula, a escola valida a bagagem cultural do aluno. “Ele se enxerga como parte ativa da história do país, e portanto, do folclore”.
12. Tribunal das Narrativas
Inspiração: Transformação pela sociedade de personagens dos folclores em figuras “assustadoras” ou “malvadas”.
Como fazer:
Desenvolver um Tribunal das Narrativas com a intenção de desconstruir o estereótipo de maldade.
Dividir os alunos em grupos para apresentarem seus argumentos.
Fazer um debate final que deve focar em como o racismo ambiental e a visão colonial moldaram o que hoje é chamado de “lenda”.
13. Debate sobre o folclore contemporâneo
Inspiração: Entender o folclore como algo vivo que acontece no tempo presente.
Como fazer:
Organizar um debate entre os alunos.
Instigar os alunos a responderem questões como: “O meme é folclore?”, “O funk é folclore?”, “Existe preconceito de classe e de raça no momento de decidir o que é cultura e o que é vandalismo?”
14. Conteúdos jornalísticos
Inspiração: Investigação da origem histórica de personagens do folclore.
Como fazer:
Organizar a produção coletiva de notícias, fotorreportagens, podcasts, vlogs, vídeos, entre outros conteúdos jornalísticos a partir de pesquisa, estudo e roteirização do conteúdo levantado pelos estudantes.
Mostrar para os alunos como a colonização distorceu figuras protetoras e sagradas das matrizes africanas e indígenas.
15. Análise e seminário
Inspiração: Discussão da mercantilização da cultura popular, da linha tênue entre a homenagem e a apropriação cultural indevida e da necessidade de políticas públicas para a salvaguarda de mestres de saberes tradicionais.
Como fazer:
Propor uma análise de estudo de casos reais. Como exemplo: grandes grifes de moda usando grafismos indígenas sem autorização ou privatização de festas populares (como camarotes do carnaval de rua).
Realizar um seminário com apresentação seguida de perguntas e de respostas de caráter crítico em que os estudantes podem propor um plano de diretrizes éticas para a promoção de eventos folclóricos.