Bett Brasil 2026: especialista comenta cenário e importância da educação antirracista

Janine Rodrigues compartilha atuação da organização Piraporiando em debate sobre a educação como reparo de desigualdades

Em 05/05/2026 16h04 , atualizado em 07/05/2026 11h18

Professor Guga e Janine Rodrigues
Janine Rodrigues, fundadora da Piraporiando,
Crédito da Imagem: Foto - Natália Lemes
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A Bett Brasil 2026 começou nesta terça-feira, 5 de maio, e segue com uma programação diversificada até sexta (8). Esse é o maior evento de inovação e tecnologia para a educação da América Latina.

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Além da exposição com empresas de diferentes ramos relacionadas à educação, o evento conta com diferentes congressos que debatem cenários para a educação básica e a Inteligência Artificial na educação, por exemplo.

O Conexão Bett é o videocast oficial da Bett Brasil que promove uma série de conversas e debates com a presença de especialistas e convidados especiais sobre diferentes temáticas. Essa é uma parceria do evento com o Brasil Escola que fará transmissões entre 5 e 8 de maio, dias de realização do evento, com a participação do professor Guga Valente.

Hoje (5), o programa estreou com a presença da fundadora e diretora da Piraporiando, Janine Rodrigues. Confira o bate-papo em que a especialista fala sobre educação antirracista e conceitos como da metodologia da cultura do afeto, inteligência coletiva e afrofuturismo:

Veja: Historiador reforça a importância das práticas antirracistas nas escolas 

Educação antirracista em debate

A educação antirracista consiste em uma metodologia e perspectiva de trabalho que objetiva combater o racismo estrutural que permeia as relações, práticas e currículos escolares.

No que se refere às instituições particulares, Janine destaca a importância da escola atuar com posicionamento que pode ir contra às demandas de quem paga pelo serviço escolar:

"A escola não pode se fixar em um lugar de cliente demandante, o fato de uma família pagar uma mensalidade, não significa que ela é proprietária do capital intelectual e humano daquela escola"

Janine Rodrigues - Diretora da Piraporiando

Professor Guga, Janine Rodrigues e Murilo
Professor Guga Valente e Murilo com Janine Rodrigues, diretora da Piraporiando.
Crédito: Reprodução / Brasil Escola.

Esse processo de atender somente às demandas do cliente pode decorrer em uma deteriorização da instituição escolar, enfatiza Janine. 

"Se a escola não se posiciona, ela continua servindo no status quo que não quer que este tema como outros avancem dentro da instituição"

Na perspectiva da especialista, é importante entender que fazer educação é um posicionamento político, não partidário. "Educação tem tudo a ver com política, do ponto de vista de um posicionamento, de um pensamento que não tem a ver com um partido." 

Quando a instituição escolar se posiciona, ela tem perdas, mas também ganhos. E quanto a isso, na visão de Janine, os ganhos estão cada vez maiores, com escolas interessadas em incluir um debate e currículo antirracista na realidade educacional. 

Para ela, é melhor que as escolas façam e desenvolvam seus projetos de educação antirracista com o que está dentro da possibilidade de agora e que sejam ações feitas com responsabilidade.

Segundo Janine, é importante verificar os autores que estão sendo trabalhados, qual é o corpo docente, quem está na gestão e interação com a família. 

Afeto é tudo que afeta

Janine explica que a metodologia da cultura do afeto reforça o papel e a importância do afeto nas relações e na educação. Para ela, é importante entender o afeto não somente o afeto como carinho, mas o afeto no sentido da responsabilidade.

"A partir do momento que eu reconheço que o que eu faço te afeta em alguma medida e vice-versa, eu posso me perguntar, sabendo que eu te afeto, como vou tomar as decisões e escolhas. A partir disso, pode ser que você mude ou não."

Janine complementa que isso não é algo novo, é o que as comunidades indígenas e quilombolas fazem.

Leia também: O papel da escola na luta antirracista e como trabalhar o tema em sala de aula 

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O que é a Piraporiando?

A Piraporiando é uma organização social que desenvolve o Programa de Educação para as Relações Étnico-raciais com ações e iniciativas para escolas, gestores escolares, professores, estudantes e familiares. Os projetos são aplicados em escolas públicas e privadas.

O objetivo é criar e promover ações educacionais criativas em prol de uma equidade racial e diversidade. 

A idealizadora e fundadora da instituição, Janine Rodrigues, conta ao videocast Conexão Bett, que o primeiro passo dos trabalhos é o diagnóstico da rede ou da escola. Esse começo serve para entender que momento a instituição está quanto à educação antirracista. 

Após isso, inicia a formação direcionada para as pessoas envolvidas (professores, gestores, alunos, etc) e a implementação de uma matriz pedagógica antirracista que vai da educação infantil até o ensino médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Iniciativas da Piraporiando

Entre os cases da organização, estão:

  • Programas de formação em educação antirracista com mais de 7 mil professores e 30 mil estudantes

  • Projeto de mentoria e formação para lideranças negras 

  • Letramento racial para chefes de gabinete e assessores parlamentares

  • Mais de 80 mil livros vendidos em todo o Brasil e em mais de 7 países

  • Criação de metodologia para estruturar um programa de bolsas 

Ainda na programação da Bett Brasil 2026, a fundadora da Piraporiando fará uma palestra que aborda o conceito de afrofuturismo que está relacionado à ausência de pessoas negras no lugar de produção de conhecimento, no campo difusão de saberes e os impactos disso para a qualidade da educação e aprendizagem. 

 

Por Lucas Afonso 
Jornalista