Dia Internacional dos Povos Indígenas: educação é uma responsabilidade coletiva em comunidades indígenas

Profissionais da educação explicam a visão indígena da educação e como ela pode ser traduzida para escolas nas cidades.

Em 10/08/2026 12h48 , atualizado em 12/08/2026 11h29

Foto de escola da comunidade Amondawa.
O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado em 9 de agosto.
Crédito da Imagem: Foto - Divulgação
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O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi celebrado ontem, 9 de agosto. A data foi instituída em 1994 pela Organização das Nações Unidas, em homenagem à primeira reunião do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Populações Indígenas, realizada em Genebra em 9 de agosto de 1982.

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A celebração busca conscientizar sobre a importância dos povos indígenas, que, segundo informações da Unesco, representam a maior parte da diversidade cultural do mundo, com cerca de 500 milhões de pessoas. Além disso, as populações indígenas são responsáveis pela maioria dos dialetos registrados no mundo.

Conhecimentos dos povos originários são vastos; entre eles está a forma de educar criança. Por intermédio da advogada indigenista Carolina Santana, a pedagoga e diretora da Escola Pedro Apóstolo, Carolina Paschoal, realizou uma imersão na comunidade Amondawa, na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia.

Nos dias que Carolina passou com a comunidade, conviveu com as famílias, acompanhou a rotina da comunidade e buscou aprender, com respeito e escuta, uma forma diferente de compreender a educação. Segundo a pedagoga, em comunidades indígenas, a educação é uma responsabilidade coletiva, em que o aprendizado acontece nas escolas, mas se estende na floresta, no rio, na cozinha, nas conversas com os mais velhos e em todas as relações cotidianas.

Adila Vieira, professora na comunidade Amondawa, explica que a educação indígena é baseada na cultura, costumes, língua e realidade de cada povo. A professora reforça que o aprendizado acontece a partir da convivência com a comunidade e participação das atividades do dia a dia, bem como pela oralidade e pelo respeito para com a natureza.

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Carolina Paschoal e Adila Vieira, respectivamente
Carolina Paschoal e Adila Vieira, respectivamente

Educação indígena no dia a dia

Ambas profissionais da educação apontam o quanto o trabalho na comunidade alterou a visão sobre a educação. "Confesso que trabalhar com povos originários é um divisor de águas na minha vida; todo dia é um aprendizado. Eles são muito educados e respeitadores; até hoje usam o do silêncio por causa da natureza", relata Adila.

Já para Carolina, "a experiência reforçou a convicção de que nenhuma inovação tecnológica substitui a presença humana. Plataformas podem ampliar o acesso ao conhecimento, mas não ensinam empatia, responsabilidade ou pertencimento. Esses valores são construídos nas relações, e isso na aldeia acontece o tempo todo".

Carolina reforça que o conhecimento dos povos indígenas sobre infância, comunidade e formação humana são valiosos. Para a pedagoga, o caminho para valorizar essa visão é enxergar essas culturas para além do olhar histórico ou folclórico, reconhecendo-as como produtoras de conhecimento e referências de enfrentamento de desafios atuais.

A educação indígena valoriza a diversidade cultural, além de promover o respeito às diferentes formas de conhecimento. Adila aponta que incentivar práticas de ensino inclusivas contribui no combate ao preconceito e fortalece a preservação da cultura e da identidade dos povos indígenas.

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Fotos imersão na comunidade Amondawa
Carolina Paschoal realizou uma imersão na comunidade Amondawa, onde Adila Vieira é professora.
Créditos: Divulgação.

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Inclusão de práticas da educação indígena

A implementação da educação indígena pode acontecer de formas variadas. Adila ainda lembra que a formação integral dos indivíduos, de forma a valorizar a identidade, cultura, reconhecer a luta dos mais velhos e desenvolver uma relação equilibrada com a natureza, é o principal viés da educação indígena. 

Assim, além do estudo da história e cultura dos povos indígenas, a realização de projetos com participação de lideranças indígenas, valorização dos conhecimentos tradicionais e incentivo ao respeito à diversidade são alternativas a serem implementadas na educação em cidades.

"O objetivo não é apenas transmitir conteúdos, mas formar pessoas conscientes de seu papel na comunidade e na preservação de seus valores tradicionais", explica a professora.

Carolina também destaca a importância de fortalecer a parceria entre escolas e famílias para a educação de crianças, entendendo que educar é uma responsabilidade compartilhada. Nesse cenário, enquanto os professores funcionam como um mediador do aprendizado, cada adulto na comunidade escolar também exerce uma função no processo da educação.

A presença de pais e familiares proporciona que as crianças tenham acesso a diferentes gerações, para que possam aprender com os mais velhos. Além de ambos os ambientes, escolar e familiar, incentivar o contato com a natureza, favorecendo a observação, a escuta e o cuidado com o ambiente.

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Por Jade Vieira
Jornalista 

Autor: Jade Vieira
Escrito por Jade Vieira Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás e amante de moda.