Confira quatro tendências de evolução de feedback de IAs sobre produção textual

Especialista explica como utilizar modelos de linguagem para devolutivas de redações que identifiquem padrão de escrita dos estudantes.

Em 10/02/2026 11h28 , atualizado em 10/02/2026 11h45

Foto de professora com dois estudantes em sala de aula. Texto: título da notícia
Modelos de linguagem podem ser usados para facilitar a devolutiva de redações.
Crédito da Imagem: Shutterstock
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O desenvolvimento de modelos de linguagens, como o ChatGPT, Gemini e outras inteligências artificiais (IAs), facilitaram no processo de aprender e estudar redação. Enquanto antes era preciso dias e até semanas para professores divulgarem os feedbacks de produções textuais, as IAs agilizaram esse processo.

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A linguista da plataforma Redação Nota 1000, Julia Serrano, aponta que o uso de devolutivas detalhadas de modelos de linguagem tem moldado a forma com que estudantes aprendem a produzir redação nos moldes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros vestibulares.

“Um dos grandes benefícios de um feedback gerado por IA é a devolutiva rápida. Com uma devolutiva instantânea, o cérebro ainda mantém as trilhas mentais utilizadas na construção do texto e corrige o erro, aproveitando essa janela cognitiva para solidificar a aprendizagem, transformando o desvio em um ‘estalo’ de compreensão imediata”

Julia Serrano

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Uso de feedbacks para estudar redação

Feedbacks rápidos estimulam os estudantes a entender o erro cometido enquanto ainda lembram do raciocínio que levou à construção textual. A análise de dados realizada pelos modelos de linguagem possibilita acompanhar os padrões de escrita dos estudantes.

Julia explica que essas análises permitem a criação de percursos direcionados de estudos, com orientações norteadas aos pontos que os alunos mais precisam de desenvolvimento. A linguista ainda aponta que é possível entender, de forma mais direcionada, onde estão os erros e como resolvê-los.

Apesar disso, Julia destaca que os feedbacks técnicos não substituem o olhar humanas, que analisa a profundidade do texto, além de nuances de interpretação, intencionalidade e aspectos mais subjetivos. A devolutiva de IAs amplia o alcance do trabalho pedagógico de professores, fornecendo informações mais claras sobre a turma e cada estudante.

"Com a tecnologia assumindo parte do diagnóstico inicial, o professor ganha mais tempo para atuar onde faz mais diferença: aprofundar repertório, promover uma leitura crítica, estimular uma discussão saudável entre as diferentes opiniões e orientar o aluno na construção de autoria", aponta a linguista.

Julia Serrano
Julia Serrano é linguista da plataforma Redação Nota 1000.
Crédito: Divulgação

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4 tendências da evolução do feedback

A especialista aponta que a propensão é de que os feedbacks por IA mantenha evoluindo rapidamente, impulsionado por tecnologias cada vez mais sofisticadas e integradas à rotina escolar.

Julia destaca quatro tendências que devem marcar a evolução do feedback de inteligências artificiais sobre a produção textual:

  1. Mudança no paradigma da devolutiva: ao invés de somente uma "correção de erros", será realizada uma "tutoria inteligente", embasada em dados e com a mediação do docente; 

  2. Feedbacks em tempo real: com auxílio da tecnologia, o aluno recebe a correção imediata do texto, guiando a sua linha de raciocínio com coerência; 

  3. Mapeamento da evolução do aluno: por meio de análise de dados, será permitida uma identificação de padrões de erros e pontos de melhoria recorrentes, o que favorece uma intervenção assertiva por parte do professor; 

  4. Apoio didático: a tecnologia assume o trabalho mais mecânico, dando tempo para o docente direcionar seu trabalho, o que favorece um ensino personalizado para as necessidades de aprendizagem da turma e do estudante, de maneira individualizada.

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Por Jade Vieira
Jornalista