Dia de Combate ao Bullying: especialista destaca sinais de alerta para pais e professores

Psicóloga compartilha orientações e sinais de alerta para professores e pais ficarem atentos quanto à situações de bullying

O Dia Nacional de Combate ao Bullying é comemorado nesta terça-feira, 7 de abril. A data reforça e fomenta ações de combate à violência nas escolas e práticas discriminatórias no contexto escolar.

Dados do DataSUS, publicados no ano passado, apontam que em 2024 foram registrados cerca de 15.759 episódios de violência relacionados ao ambiente escolar atendidos nos serviços de saúde. Isso representou um aumento de 23% em comparação ao ano anterior.

O avanço da violência nas escolas acende um alerta para a sociedade, especialmente aos profissionais de educação e familiares de crianças e adolescentes. 

A Pesquisa Nacional de Sáude Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com os ministérios da Saúde e o da Educação, mostra que mais de 1,5 milhão de estudantes brasileiros deixaram de ir à escola por medo da violência no trajeto entre casa e sala de aula.

Identificar de forma precoce as situações de bullying e violência na escola é fundamental para reduzir seus efeitos, destaca a piscóloga Dra. Mariana Ramos. 

"A implementação de programas de prevenção, como palestras, rodas de conversa, oficinas e campanhas de conscientização, são  essenciais para reduzir os casos duzde bullying. Essas ações fortalecem o respeito às diferenças, a empatia e as habilidades socioemocionais, promovendo um ambiente escolar mais acolhedor e colaborativo"

Mariana Ramos - Psicóloga

Mariana Ramos
Dra. Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna.
Crédito: Caio Tinoco | Instagram @hidedarkroom.

A especialista considera que treinamentos frequentes direcionados para professores e colaboradores das escolas auxiliam na identificação e no manejo das situações, como espaços de escuta psicológica e grupos de apoio que oferecem suporte aos estudantes.

Saiba mais: O que é e quais são as consequências do bullying?

Tipos de bullying

O bullying pode ser manifestado de diferentes formas, tais como:

  • Bullying físico: agressões diretas, empurrões, socos, tapas ou dados à propriedade da vítima.

  • Bullying verbal: insultos, apelidos pejorativos, ameaças e humilhações públicas.

  • Bullying psicológico ou emocional: busca afetar a autoestima da vítima por meio de manipulação, chantagens, exclusão social ou perseguições constantes.

  • Ciberbullying: utiliza as tecnologias para espalhar rumores, criar perfis falsos, enviar mensagens ofensivas ou compartilhar fotos íntimas sem conssentimento. 

Confira também: 5 atividades pedagógicas para fortalecer o equilíbrio emocional na sala de aula 

Sinais de alerta 

Entre os sinais de alerta listados pela especialista que devem ser levados em consideração quanto à mudança comportamental e estado emocional da criança, estão:

  • Mudanças bruscas de comportamento, como isolamento, irritabilidade, agressividade, medo de ir à escola ou queda no rendimento escolar;

  • Sintomas físicos sem causa aparente, como dores de cabeça, dores de estômago, náuseas ou insônia;

  • Alterações no sono e no apetite, incluindo pesadelos, perda de apetite ou comer em excesso;

  • Ansiedade antecipatória, como chorar antes das aulas ou demonstrar resistência em sair de casa;

  • Evitar redes sociais ou demonstrar angústia após o uso do celular;

  • Comportamentos autodestrutivos, como se machucar, falar sobre morte ou apresentar sinais de depressão.

Como os pais devem agir em situações de bullying?

Em caso de suspeita de que a criança/adolescente esteja passando por um processo de bullying ou tenha sofrido episódio de violência, é fundamental procurar suporte profissional e diálogo com a escola para encontrar soluções conjuntas.

"Comunique a escola, registre o ocorrido e solicite acompanhamento psicológico, tanto para a vítima quanto para os envolvidos. É importante lembrar que o agressor também necessita de apoio, muitas vezes, ele próprio já foi vítima em outro contexto"

Mariana Ramos - Piscóloga

Mariana enfatiza a importância de acolher sem julgar, oferecer espaço de escuta e segurança emocional às crianças. É preciso, segundo ela, evitar minimizar o sofrimento com frases como "isso é bobagem" ou "você precisa ser mais forte".

 

Por Lucas Afonso
Jornalista


Fonte: Brasil Escola - https://educador.brasilescola.uol.com.br/noticias/dia-de-combate-ao-bullying-especialista-comenta-sinais-de-alerta-para-pais-e-responsaveis.htm