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A polissemia como recurso didático

Estratégias de ensino-aprendizagem

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A polissemia como recurso didático pode ser bastante eficaz
A polissemia como recurso didático pode ser bastante eficaz 

O fazer didático com base em experiências cotidianas revela-se como recurso significativo e eficaz – verdade essa inquestionável. Aplicável a todas as disciplinas, sobretudo fazendo referência às aulas de Língua Portuguesa, tal procedimento tende a quebrar determinados paradigmas que vêm se cristalizando, principalmente em se tratando de regras e decorebas.  

Com base nesse pressuposto, dispomo-nos a abordar acerca do ensino da semântica, entendida como a ciência das significações. Trata-se de um assunto vasto e proveitoso que, se explorado de forma eficaz, incidirá tão somente no perfeito entendimento de como o significado das palavras exerce influência nas mais variadas situações comunicativas. Seja na oralidade, na escrita, na linguagem não verbal, a todo o momento temos necessidade de fazer com que a interlocução seja realmente materializada.

Assim, dado o dinamismo da língua, focaremos nossa atenção ao sentido polissêmico que impera nos distintos vocábulos que compõem nosso léxico. Assim, é dada a largada para que o professor possa usufruir de todas as possibilidades que a ele são oferecidas, no sentido de explorar, e ao mesmo tempo aprimorar, o conhecimento linguístico do qual não só os educandos, mas também todos os usuários deste vasto sistema (a língua) devem dispor. Nesse sentido, trabalhar com a linguagem figurada, sobretudo dando ênfase à denotação, à conotação e à polissemia propriamente dita, revelam nossos “ingredientes” principais desta “gastronomia” didática.

* Como marco introdutório do trabalho a ser realizado, eis que de forma sugestiva o educador pode se valer da linguagem publicitária, a qual explora a questão dos múltiplos significados conferidos à mensagem que se deseja transmitir. Assim, observe alguns exemplos:

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“Gato”, nesse contexto, possui uma acepção diferente da retratada de forma literal
“Gato”, nesse contexto, possui uma acepção diferente da retratada de forma literal

Explore, educador, a relação que o componente característico expresso pelo vocábulo “gato” exerce com o estabelecimento cujo ramo de negócio é o trabalho com animais, um pet shop. Aproveitando o gancho, outro aspecto pode também ser enfatizado: a finalidade discursiva nesse gênero textual, no qual prevalece a intenção persuasiva. 

A cor “amarela” adquire um sentido dúbio
A cor “amarela” adquire um sentido dúbio

Nesse anúncio, a intenção se assemelha à do anterior, visto que o “sorrisinho amarelo”, além da cor literalmente expressa, pode significar um sorriso desprovido de um certo encantamento, sem graça.

“Morder de raiva” possui um sentido figurado
“Morder de raiva” possui um sentido figurado

Com a expressão “Morde aqui”, o anunciante quis vender seu produto fazendo uma analogia com uma expressão que nos é bastante familiar: “fulano está mordendo de raiva”, a qual caracteriza a euforia e o nervosismo advindos de uma dada situação tida como inaceitável.

Como se percebe, múltiplas são as possibilidades quando o intuito é retratar as relações de sentido estabelecidas entre uma palavra e outra, entre um acontecimento e outro, entre uma imagem e outra, uma obra de arte, enfim, entre distintas circunstâncias nas quais podemos fazer uma releitura de algo original, já existente, e que de acordo com contextos variados acaba adquirindo múltiplas acepções. Basta que o educador saiba aproveitar e explorar tal situação ao máximo.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

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