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A Primeira Guerra e a questão do nacionalismo

Estratégias de ensino-aprendizagem

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O apelo nacionalista nem sempre inspirou os combatentes envolvidos na Primeira Guerra Mundial.


Quando o professor inicia a discussão sobre uma guerra, os alunos podem muitas vezes compreender que este tipo de situação implica no natural reconhecimento de dois grupos ou nações inimigas. Uma relação de antagonismo seria a primeira justificativa capaz de fornecer sentido a esse tipo de situação onde, por algum tipo de diferença, homens estariam dispostos a matar e morrer. Contudo, os detalhes de um conflito podem girar em uma fronteira distante dessa mera oposição de forças.

Ao discutir os fatos referentes à ocorrência da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, o professor pode demonstrar que os ideais de patriotismo, bravura e ódio nem sempre abraçam todos os aspectos desse conflito. O relato de muitos homens que participaram de lados opostos desse conflito pode mostrar à turma como o medo, o cansaço e a desolação fazem parte das pequenas histórias contidas em diários perdidos nos campos de batalha.

Dessa forma, saindo da perspectiva de uma história universal e generalizante, o professor pode trabalhar com o depoimento de um soldado inglês e outro alemão.

TRECHO – I

“A mesma velha trincheira, a mesma paisagem... Os mesmos ratos, crescendo como mato... Os mesmos abrigos, nada de novo... Os mesmos e velhos cheiros, tudo na mesma... Os mesmos cadáveres no front... A mesma metralha, das duas às quatro... Como sempre cavando, como sempre caçando... A mesma velha guerra dos diabos.” (soldado inglês).

TRECHO – II

“Estamos tão exaustos que dormimos, mesmo sob intenso barulho. A melhor coisa que poderia acontecer seria os ingleses avançarem e nos fazerem prisioneiros. Ninguém se importa conosco. Não seremos substituídos. Os aviões lançam projéteis sobre nós. Ninguém mais consegue pensar. As rações estão esgotadas – pão, conservas, biscoitos, tudo terminou! Não há uma única gota de água. É o próprio inferno.” (soldado alemão).

Recortando esse dois depoimentos, os alunos podem produzir uma atividade interpretativa salientando como o trauma da guerra atingiu cada um dos lados envolvidos. Ao mesmo tempo, o professor tem condições de revelar um aspecto visivelmente ignorado pelos livros didáticos e que pode mostrar que as ideologias que justificaram essa guerra não conseguiram, de fato, mobilizar todos aqueles indivíduos participantes da guerra.

O professor tem condições de iniciar uma instigante discussão onde o ideal nacionalista se torna alvo de questionamento. Afinal de contas, será que idéias de conotação nacionalista ou xenófoba poderiam realmente estar justificadas em bases históricas seguras? Em caso afirmativo, por que estes dois depoimentos não refletem a fixidez das verdades pregadas por ideologias de tal espécie? Com o uso dessas questões polêmicas poderíamos até questionar os problemas que envolvem o conceito de nação.

Aproximando o debate para o contexto da história nacional, o professor ainda pode questionar junto a seus alunos se os bens simbólicos que definem a identidade brasileira poderiam atingir igualitariamente as práticas culturais de todos os brasileiros. Com isso, a questão do nacionalismo oferece uma ampla discussão em que os alunos são convidados a empreender um olhar crítico sobre a sua própria cultura. Deixam de ser meros receptores para refletirem ativamente sobre o meio em que vivem.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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