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A questão nuclear no Irã

Estratégias de ensino-aprendizagem

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A polêmica sobre o projeto nuclear iraniano revela a importância de se compreender o passado.

Expor a uma turma de alunos a importância de se pensar historicamente não é uma tarefa fácil de ser realizada. Não é novidade para nenhum professor de História os vários argumentos simplistas utilizados por alguns jovens para simplesmente relegar o passado a uma coisa sem vida ou significado. Portanto, toda vez que possível, devemos ir contra essa tendência de pensamento oferecendo o debate de temas capazes de revelar a importância que o passado tem no entendimento de questões do presente.

Partindo dessa premissa, oferecemos nesse texto uma interessante citação pela qual o professor pode discutir a questão nuclear desenvolvida no Irã. No início de 2010, autoridades políticas norte-americanas vêm exercendo uma forte pressão contra o programa nuclear desenvolvido nesse país. Entre outros argumentos, apontam que o presidente Mahmoud Ahmadinejad poderia fabricar um arsenal atômico capaz de abalar as relações políticas e a segurança em âmbito internacional.

Feita essa primeira consideração, abra espaço para que os alunos opinem sobre o tema, destacando a fala daqueles que têm um posicionamento mais claro sobre o assunto. Caso ache necessário, o professor pode oferecer à turma algum tipo de reportagem ou texto que explique rapidamente o embate envolvido na questão. A partir desse ponto, abre-se caminho para discutir a consideração abaixo feita pelo cientista político José Luís Fiori para a revista Cult.

“Os Estados Unidos patrocinaram o golpe que derrubou o presidente eleito do Irã, em 1953, e sustentaram o regime autoritário do xá Reza Pahlevi, junto com seu programa nuclear, até sua deposição em 1979. Mas, antes disso, já tinham permitido que Israel tivesse acesso à tecnologia nuclear, com o auxílio da França e da Grã-Bretanha, por volta de 1965. [...] Como resultado, existe hoje uma assimetria gigantesca de poder militar dentro do Oriente Médio: são 15 países, com 260 milhões de habitantes, e só Israel, com apenas 7,5 milhões de habitantes e 20 mil quilômetros quadrados, detém um arsenal de cerca de 250 cabeças atômicas, com um sistema balístico extremamente sofisticado, e com o apoio permanente da capacidade atômica e de ataque dos EUA, dentro do próprio Oriente Médio.”
(FIORI, José Luís. A moral internacional e o poder. In: Revista Cult, ano 13, nº 145, abr. 2010, p. 55–56.)

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No comentário acima, percebemos que o estudioso retoma a recente trajetória do comportamento político norte-americano para questionar a sua desaprovação ao projeto nuclear iraniano. Sob tal aspecto, retoma uma antiga aliança existente entre Irã e Estados Unidos entre as décadas de 1950 e 1970. Logo em seguida, determina a quebra dessas relações políticas com o estabelecimento do processo revolucionário que no ano de 1979 empreendeu as mudanças que justificam o atual regime do Irã.

Claramente, vemos que o argumento construído é permeado por um sequenciamento de situações históricas. Desse modo, o professor pode utilizar da citação para a organização de um trabalho ou de futuras aulas expositivas que trilhem o caminho das relações políticas entre os Estados Unidos e o Irã. Desse modo, os alunos não só aprenderão um novo conteúdo, mas também poderão enxergar que a compreensão da atual política iraniana está atrelada ao entendimento desse mesmo processo histórico.

Feito esse trabalho, o professor pode concluir a questão levantada retomando o debate que estabeleceu o início da aula. Voltando à questão nuclear iraniana, o professor pode discutir junto aos alunos quais deles tiveram uma visão diferenciada sobre o tema depois que compreenderam as várias situações que perfilaram o relacionamento diplomático entre Irã e Estados Unidos. É daí que os alunos reconhecerão a importância de se entender o agora pelo valor deixado pelas experiências já vividas.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Brasil Escola

História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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