Guerra do Paraguai e exército brasileiro

Estratégias de ensino-aprendizagem

Nessa proposta de aula sobre a Guerra do Paraguai, o aluno pode conhecer a situação socioeconômica paraguaia, bem como o fortalecimento do exército do Brasil após a guerra.
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Um dos episódios da História do Brasil que gerou importantes repercussões nas mudanças do Estado brasileiro foi a Guerra do Paraguai (1864-1970). O fortalecimento do Exército enquanto instituição nacional, com poder político, e a destruição do Estado paraguaio foram consequências de longo prazo decorrentes dessa guerra travada por Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, à época governado por Solano Lopes.

A importância do evento proporciona ao professor de História uma oportunidade de discutir a organização econômica e social do Paraguai sob o governo de Solano Lopez, o fim do regime Imperial no Brasil e o fortalecimento do exército brasileiro enquanto instituição que iria posteriormente estar no centro das mudanças verificadas no Estado brasileiro.

A proposta de abordagem do tema pode ser realizada em quatro aulas. Na primeira, o professor apresentaria a situação política e econômica do Paraguai após a independência, focalizando a apresentação nas políticas de desenvolvimento econômico independente dos três governos ditatoriais paraguaios até 1864, principalmente nas ações da reforma agrária, na exportação dos excedentes da produção agrícola e na importação de maquinário e contratação de técnicos para fomentar uma incipiente indústria no país. No plano social, é de se destacar a adoção do ensino primário obrigatório em solo paraguaio, situação rara nas nações sul-americanas do período. Uma forma de avaliação dessa aula pode ser conseguida com a elaboração de um quadro comparativo entre o contexto socioeconômico brasileiro e paraguaio.

Na segunda e terceira aulas, o foco será a atuação do exército brasileiro a partir da guerra. Inicialmente podem ser tratados os esforços econômicos e institucionais para o fortalecimento do exército do Brasil para enfrentar o forte e bem treinado exército de Lopez. A vitória alcançada pelo exército brasileiro iria colocá-lo como uma força política importante no fim do Segundo Reinado, contribuindo para a difusão dos posicionamentos republicanos e realizando, por fim, o golpe de Estado que iria inaugurar a República no Brasil. Pedir para que os alunos pesquisem sobre algumas figuras tratadas como heróis do exército do Brasil, como o Duque de Caxias e a trajetória do Marechal Deodoro da Fonseca, irá auxiliar no acesso aos conteúdos referentes ao papel do exército nesse período final do Império brasileiro.

Apresentando essa situação, o professor pode avançar, em um segundo momento, sobre as ações do exército brasileiro durante o período republicano. A apresentação dos inúmeros golpes e tentativas de golpes permitirá indicar a constante presença das forças armadas na condução das instituições políticas do Brasil, possibilitando debater essa presença e o caráter autoritário que moldou o aparelho de Estado brasileiro. Uma forma de avaliar é através de uma relação a ser feita pelos alunos com todos, ou a maior parte, dos momentos de interferência do exército na vida política nacional. Essa avaliação permitirá apresentar a constante participação militar nesse aspecto da vida nacional.

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Por fim, uma última aula com imagens da Guerra do Paraguai ou outros elementos iconográficos sobre o conflito que permitem apresentar diferentes visões sobre o conflito. Abaixo segue algumas sugestões de imagens para serem trabalhadas:

Gravura de volta do Paraguai de Ângelo Agostini (1843-1910), retratando a contradição da luta dos negros na guerra
Gravura de volta do Paraguai de Ângelo Agostini (1843-1910), retratando a contradição da luta dos negros na guerra

Imagem da revista Semana Ilustrada, representando o embarque da Guarda Nacional, em 1865, expressando o caráter nacionalista do ato
Imagem da revista Semana Ilustrada, representando o embarque da Guarda Nacional, em 1865, expressando o caráter nacionalista do ato

O Conde D’Eu, genro de D. Pedro II, com as mãos na cintura, em foto com oficiais do exército durante a Guerra do Paraguai
O Conde D’Eu, genro de D. Pedro II, com as mãos na cintura, em foto com oficiais do exército durante a Guerra do Paraguai

Charge de Henrique Fleiuss (1824-1882) retratando o imperador na busca de unidade política para a Batalha de Humaitá
Charge de Henrique Fleiuss (1824-1882) retratando o imperador na busca de unidade política para a Batalha de Humaitá

O Duque de Caxias retratado por Victor Meirelles (1832-1903)
O Duque de Caxias retratado por Victor Meirelles (1832-1903)

Tela Batalha de Campo Grande, de Pedro Américo (1843-1903). Perceba a retratação dos paraguaios como indígenas e os brasileiros como civilizados.
Tela Batalha de Campo Grande, de Pedro Américo (1843-1903). Perceba a retratação dos paraguaios como indígenas e os brasileiros como civilizados.**

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* Crédito da Imagem: Portal Guarani

** Crédito da Imagem: Museu Imperial


Por Tales Pinto
Mestre em História

O ditador paraguaio Francisco Solano Lopes, em quadro de Aurelio García (1846–1869).*
O ditador paraguaio Francisco Solano Lopes, em quadro de Aurelio García (1846–1869).*