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Interpretação de provérbios: uma análise discursiva

Estratégias de ensino-aprendizagem

A interpretação de provérbios atua como excelente recurso metodológico, permitindo uma análise discursiva necessária a todo e qualquer interlocutor.
A interpretação de provérbios com vistas a uma análise discursiva mais apurada: recurso metodológico altamente eficaz
A interpretação de provérbios com vistas a uma análise discursiva mais apurada: recurso metodológico altamente eficaz
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Ler nas entrelinhas... Essa atividade representa, sem dúvida, uma das maiores barreiras constatadas no processo de ensino e aprendizagem. Obstáculos que parecem ter ramificações amplas, haja vista que se estendem para o campo da interpretação textual, das ciências exatas de uma forma geral, das Artes, enfim, muitas são as circunstâncias em que o aluno se vê diante de diferentes linguagens, porém não se sente apto a decifrá-las, a interpretá-las, sendo capazes de retirar delas a essência original. 

Quando nos referimos ao campo das Artes, damos ênfase, sobretudo, aos estudos literários, cujo discurso, seja ele em prosa ou em verso, traz consigo uma carga significativa de posicionamentos ideológicos, de revelação do não dito, porém revelado (contudo, nem sempre nítidos aos olhos dos interlocutores-aprendizes). Assim, em face dessa realidade, torna-se mister desenvolver o aprimoramento de determinadas habilidades, em especial o da interpretação do discurso.  

Para tanto, um dos recursos do quais o educador pode se servir é o trabalho com provérbios – dada a recorrência desses nas interações sociais, nas comunicações cotidianas de um modo geral. Quem nunca disse ou ouviu expressões mais ou menos deste tipo:

A pressa é inimiga da perfeição;

Errar é humano;

O barato sai caro;

De grão em grão a galinha enche o papo, entre outros.

Parece que para todas as ocasiões que norteiam nosso cotidiano há sempre um desses dizeres que com elas vêm a calhar. Mas apenas lê-los não é o bastante, é preciso, pois, interpretá-los. Eis aí uma excelente oportunidade para “extrair” a capacidade argumentativa, bem como o instinto subjetivo, dos alunos, diante da proposta de instigá-los a realizar tal procedimento (o da interpretação). Dessa forma, seguem elucidadas abaixo algumas medidas cuja eficácia parece ser evidente. Ei-las, portanto:

* Antes de formar as duplas, interessante é que o educador capte a impressão que os alunos têm da palavra em estudo, no caso, o que são provérbios;

* Elencados todos os posicionamentos, o passo seguinte é organizar a sala de aula com o intuito de formar pares para a realização da atividade ora proposta.
*Tarefa concluída, é chegado o momento de distribuir distintos provérbios, de forma que cada grupo se torne responsável pela análise de um discurso diferente. Assim, com a mediação do professor, cada grupo terá o tempo necessário (previamente determinado) para levantar questionamentos, trocar opiniões, enfim, interpretar a mensagem em questão;

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* Tempo efetivamente aproveitado, urge assim o momento de os grupos se manifestarem. Tal qual na realização da atividade, haverá um tempo determinado para a apresentação desta, na qual apenas um integrante “fala” em nome de um todo;

* Concluídas as apresentações, agora a intermediação fica por conta do professor. Nesse ínterim, a oportunidade de trabalhar as características dos gêneros é perfeitamente viável, como é o caso daqueles envoltos pelo aspecto persuasivo e pelo aspecto argumentativo. Mas, como assim? Quando um, quando o outro?

Os provérbios, por fazerem parte de uma sabedoria popular que passa de geração para geração, apresentam-se como algo perene, cristalizado no tempo. Desse modo, eis um questionamento relevante: até que ponto as pessoas se mostram por eles influenciadas? Nos provérbio haverá, realmente, um fundo de verdade?

Como sabemos, em muitos deles há traços moralizantes, que encerram uma lição, como por exemplo: o seguro morreu de velho, a ocasião faz o ladrão, entre tantos outros. Será aí que reside o poder persuasivo? Fica, portanto, a cargo dos envolvidos (professor X alunos) chegarem a um consenso.
Nesse sentido, outro questionamento tende a se manifestar: se persuade é porque convence, se convence é porque os argumentos se mostraram solidificados, plausíveis. Logo, resta saber o porquê, e ele é a peça-chave da proposta em evidência. Assim, descobri-lo faz parte do feedback necessário ao docente.

Como forma de tornar a atividade ainda mais descontraída, que tal apresentar a eles os antiprovérbios por aí existentes? Tais como:

Quem ri por último é retardado (não é aquele que ri melhor);

Gato escaldado morre (não tem medo de água fria);

Depois da tempestade vem a gripe (não a bonança);

Águas passadas já passaram (elas já não movem mais moinhos); 

Quem cedo madruga fica com sono o dia inteiro (Deus ajuda a quem cedo madruga – provérbio original).

Teriam tais expressões poder persuasivo e argumentativo também?

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

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