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O Brasil durante a Guerra Fria

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Discuta a Guerra Fria por meio de uma carta que John Kennedy endereça a João Goulart.


Ao colocarmos a Guerra Fria em pauta, muitos alunos não conseguem compreender com a devida clareza o significado de uma espécie de guerra marcada pela inexistência do conflito direto. De certa forma, sabemos que essa tensão que tomou conta do mundo pós-Segunda Guerra foi desenvolvida por meio de negociações diplomáticas e atos públicos que deveriam demonstrar a qual bloco político e ideológico cada uma das nações do mundo estaria alinhada.

Com relação aos Estados Unidos, bem sabemos que sua função de líder do bloco capitalista lhe impeliu de acompanhar de perto os eventos políticos que se desenrolavam nos demais Estados americanos. Tal preocupação se agravou nos fins da década de 1950, quando a Revolução Cubana impôs uma séria ameaça à hegemonia do bloco capitalista no continente americano. Dessa forma, observamos a imposição de mecanismos de controle cada vez mais rígidos sobre os governos latino-americanos.

Ambientado essa questão, o professor pode demonstrar aos seus alunos que esses eventos atingiram diretamente o Brasil. Nesse período, enquanto o país viva sob a incógnita postura política dos regimes populistas, autoridades norte-americanas enviaram propostas que desejavam saber mais claramente sobre o direcionamento político brasileiro. Ao apontar tal questão, muitos alunos se interessam pelo assunto, mas nem sempre têm a oportunidade de ter acesso a essas informações.

Para que essa barreira seja quebrada, sugerimos que o professor analise em sala o trecho de uma carta, de 1960, do presidente John F. Kennedy endereçada a João Goulart, que na época ocupava o posto de vice-presidente da República. Retirada diretamente dos arquivos pessoais desse estadista brasileiro, o documento continha a seguinte orientação:

“... Espero que nestas circunstâncias V. Exa. sentirá que o seu país deseja unir-se ao nosso, expressando os seus sentimentos ultrajados frente a esse comportamento cubano e soviético e que V. Exa. achará por bem expressar publicamente os sentimentos do seu povo.” (...) Quero convidar V. Exa. para que suas autoridades militares possam conversar com os meus militares sobre a possibilidade da participação em alguma base apropriada com os Estados Unidos e outras forças do hemisfério em qualquer ação militar que se torne necessária pelo desenvolvimento da situação em Cuba...”


Nessa pequena citação, podemos observar claramente quais as reações esperadas pelo governo americano no que se refere à deflagração da Revolução Cubana. Além de presumir que o Estado brasileiro se sinta “ultrajado” pelo episódio cubano, John Kennedy também recomenda que esse repúdio seja, na medida do possível, exposto para o restante da população brasileira. Com isso, notamos que a preocupação com as posições políticas eram visivelmente acompanhadas pela exposição das mesmas.

Não bastando essas primeiras sugestões, o documento também abre espaço para o desenvolvimento de uma possível cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos. Em certo sentido, a consolidação dessas alianças militares funcionaria como outro meio de simbolizar a aliança do Brasil ao bloco capitalista. Ao promover essas considerações, o professor pode dar continuidade à matéria de História do Brasil destacando a política externa do governo de Jânio Quadros.

Tomando como referência a tentativa de aproximação norte-americana, o professor tem maiores condições de frisar a dubiedade com que esse governo conduziu sua política externa. Ao mesmo tempo, pode destacar como a visita e a condecoração do revolucionário cubano Che Guevara estava distante das ações públicas esperadas pelos Estados Unidos. Sem dúvida, por meio do documento, fica bem mais fácil abordar esse complexo emaranhado de interesses e ações políticas.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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