Consciência Negra: entenda o papel da escola na luta antirracista e como trabalhar o tema em sala de aula

Professores apresentam ideias para uma educação antirracista e 5 livros que podem ser utilizados para introduzir o debate acerca do tema.

Em 21/11/2025 11h55 , atualizado em 26/11/2025 13h07

Foto de mulher em manifestação com placa escirto "educação antirracista para todos". Texto: título da notícia
O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novmebro.
Crédito da Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
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O Dia da Consciência Negra, 20 de novmebro, foi instituído em 2011, mas somente se tornou feriado nacional em 2023. A data surgiu ainda na década de 1970, como homenagem ao líder quilombola, Zumbi dos Palmares, e busca celebrar e relembrar a luta contra opressão racial no Brasil.

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O povo negro faz parte da história do Brasil e da identidade brasileira, uma vez que 55,65% da população se declara parda ou preta, de acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Diante dessa realidade, Thalita Matos Lins, pedagoga e orientadora pedagógica do Ensino Médio do Colégio Oficina do Estudante, acredita que resgatar a trajetória de povos africanos, sem reduzi-los, é a melhor forma de desenvolver uma educação antirracista.

Buscar apresentar a história para além da violência, opressão e escrevidão traz ao holofote vozes que foram silenciadas durantes longos séculos, especialmente de mulheres negras. “Uma das estratégias para isso é justamente trabalhar com arte e também literatura com os estudantes” diz Thalita.

Leia também: saiba mais sobre o Dia da Consciência Negra

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Educação antirracista em sala de aula

Falar sobre o Dia da Consciência Negra é uma forma de reconhecimento do racismo estrutural que ainda acomete a sociedade brasileira. A escola tem o dever legal, garantido pela Lei 10.639/03, de assegurar que os estudantes estudem a história e cultura afro-brasileira.

Para a autora de História, Filosofia e Sociologia do Sistema de Ensino pH, Ana Paula Aguiar, através de ações afirmativas aplicadas pelas escolas são formas silenciosas de romper com o racismo estrutural e combater esterótipos. “Trabalhar o tema é promover cidadania, respeito e consciência crítica sobre a desigualdade racial no Brasil”, conta Ana Paula.

Thalita acredita na importância de trabalhar a conscientização de forma interdisciplinar, uma vez que é um assunto que pode aparecer em diferentes ambientes e ser abordado em várias matérias.

Tahlita Matos e Ana Paula Aguiar
Tahlita Matos e Ana Paula Aguiar, respectivamente.
Crédito: Divulgação

Como trabalhar o Dia da Consciência Negra em sala de aula?

Trabalhar o repertório cultural proporciona acesso às referências historicamente apagadas. Ana Paula sugere como atividades potentes incluir rodas de conversa, análise de filmes e reportagens, bem como explorar a leitura de autores negros em diferentes áreas, como literatura, sociologia, antropologia.

Além de trabalhos e pesquisas escolares, Thalita aponta que dar voz aos estudantes negros é uma maneira de validar seus sentimentos sobre os desafios que enfrentam em uma sociedade impregnada pelo racismo. Assim também é possível iniciar debates como forma de conscientização para os demais, deixando claro que todos fazem parte daquela turma.

“O ponto central é a conscientização de que os povos africanos fazem parte da história do Brasil. E, na literatura, além da arte, dá para introduzir autores negros ou autores que trabalhem uma abordagem antirracista”.

Thalita Matos

Confira 7 autores negros da literatura brasileira

Livros que para introduzir a Consciência Negra

Para auxiliar na introdução de debates sobre a Consciência Negra em sala de aula, Thalita apresenta alguns livros a serem trabalhados em sala de aula:

Veja também: 30 personalidades negras que marcaram a história do Brasil

 

Por Jade Vieira
Jornalista