O desenvolvimento de modelos de linguagens, como o ChatGPT, Gemini e outras inteligências artificiais (IAs), facilitaram no processo de aprender e estudar redação. Enquanto antes era preciso dias e até semanas para professores divulgarem os feedbacks de produções textuais, as IAs agilizaram esse processo.
A linguista da plataforma Redação Nota 1000, Julia Serrano, aponta que o uso de devolutivas detalhadas de modelos de linguagem tem moldado a forma com que estudantes aprendem a produzir redação nos moldes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros vestibulares.
“Um dos grandes benefícios de um feedback gerado por IA é a devolutiva rápida. Com uma devolutiva instantânea, o cérebro ainda mantém as trilhas mentais utilizadas na construção do texto e corrige o erro, aproveitando essa janela cognitiva para solidificar a aprendizagem, transformando o desvio em um ‘estalo’ de compreensão imediata”
Julia Serrano
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Feedbacks rápidos estimulam os estudantes a entender o erro cometido enquanto ainda lembram do raciocínio que levou à construção textual. A análise de dados realizada pelos modelos de linguagem possibilita acompanhar os padrões de escrita dos estudantes.
Julia explica que essas análises permitem a criação de percursos direcionados de estudos, com orientações norteadas aos pontos que os alunos mais precisam de desenvolvimento. A linguista ainda aponta que é possível entender, de forma mais direcionada, onde estão os erros e como resolvê-los.
Apesar disso, Julia destaca que os feedbacks técnicos não substituem o olhar humanas, que analisa a profundidade do texto, além de nuances de interpretação, intencionalidade e aspectos mais subjetivos. A devolutiva de IAs amplia o alcance do trabalho pedagógico de professores, fornecendo informações mais claras sobre a turma e cada estudante.
"Com a tecnologia assumindo parte do diagnóstico inicial, o professor ganha mais tempo para atuar onde faz mais diferença: aprofundar repertório, promover uma leitura crítica, estimular uma discussão saudável entre as diferentes opiniões e orientar o aluno na construção de autoria", aponta a linguista.
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A especialista aponta que a propensão é de que os feedbacks por IA mantenha evoluindo rapidamente, impulsionado por tecnologias cada vez mais sofisticadas e integradas à rotina escolar.
Julia destaca quatro tendências que devem marcar a evolução do feedback de inteligências artificiais sobre a produção textual:
Mudança no paradigma da devolutiva: ao invés de somente uma "correção de erros", será realizada uma "tutoria inteligente", embasada em dados e com a mediação do docente;
Feedbacks em tempo real: com auxílio da tecnologia, o aluno recebe a correção imediata do texto, guiando a sua linha de raciocínio com coerência;
Mapeamento da evolução do aluno: por meio de análise de dados, será permitida uma identificação de padrões de erros e pontos de melhoria recorrentes, o que favorece uma intervenção assertiva por parte do professor;
Apoio didático: a tecnologia assume o trabalho mais mecânico, dando tempo para o docente direcionar seu trabalho, o que favorece um ensino personalizado para as necessidades de aprendizagem da turma e do estudante, de maneira individualizada.
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Por Jade Vieira
Jornalista
Fonte: Brasil Escola - https://educador.brasilescola.uol.com.br/noticias/quatro-tendencias-evolucao-feedback-ia-producao-textual.htm