Entenda como professores podem promover saúde socioemocional dos alunos no início do ano letivo

Especialistas comentam sobre a importância do papel dos professores e gestores escolares na saúde mental dos estudantes nesta volta às aulas

Em 30/01/2026 17h00 , atualizado em 02/02/2026 16h16

Estudantes sorrindo e andando
Professores e gestores escolares podem atuar com práticas na promoção da saúde mental dos alunos.
Crédito da Imagem: Foto - Shutterstock
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O retorno às aulas e o início do ano letivo podem gerar sentimentos de ansiedade e apreensão nos estudantes. Nesse sentido, os alunos encontram desafios relacionados às expectativas e ao retorno das interações sociais do ambiente escolar.

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Segundo Katia Chedid, líder do departamento de Governança Educacional da Fundação Bradesco, neste período do ano muitos estudantes enfrentam inseguranças relacionadas ao desempenho escolar, às novas dinâmicas sociais, como também às mudanças de série ou etapa de ensino.

Esses são fatores que podem afetar o bem-estar emocional e precisam de atenção especial nas primeiras semanas tanto da escola quanto da família. Com isso, é necessário acolhimento e adaptação para garantir o engajamento e permanência do aluno, enfatiza Katia.

Fabiana Santana, assessora pedagógica do programa de educação socioemocional da SOMOS Educação, Líder em mim, explica que as competências socioemocionais envolvem conhecimentos, habilidades e atitudes para resolver problemas e enfrentar desafios de forma eficaz.

Leia também: MEC oferece curso gratuito e online sobre saúde mental na escola para professores 

Como os professores podem auxiliar na saúde mental dos alunos?

Os educadores possuem um papel central na promoção da saúde mental dos estudantes ao estabelecer um ambiente de acolhimento, confiança e segurança emocional dentro da sala de aula, afirma Katia Chedid.

Entre as características e ações que devem estar presentes no dia a dia dos professores, segundo Katia, estão:

  • Escuta ativa

  • Observação atenta de mudanças do comportamento

  • Valorização do diálogo

  • Respeito ao ritmo individual de cada estudante

"Quando o professor incentiva relações positivas, cooperação e empatia entre os alunos, contribui diretamente para o fortalecimento da autoconfiança, do senso de pertencimento e do engajamento escolar"

Katia Chedid

Segundo Fabiana Santana, para que as competências socioemocionais sejam desenvolvidas de fato, é preciso que as e os profissionais da educação ultrapassem o ensino pontual de habilidades isoladas para promover experiências que integrem atitudes, valores e práticas no cotidiano escolar. 

Vale lembrar que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece as competências socioemocionais como parte fundamental da formação escolar. Nesse sentido, essas habilidades passam a envolver o exercício da cidadania e a vida em sociedade.

Katia Chedid e Fabiana Santana
Katia Chedid (à esquerda) e Fabiana Santana (à direita).
Crédito: Divulgação.

Quando realizadas, essas ações tendem a impactar de forma direta no processo de aprendizagem e no desenvolvimento integral dos estudantes, enfatiza a especialista Chedid.

Veja também: Quem cuida de quem ensina? Uma análise sobre a saúde mental dos professores

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Como os gestores podem promover saúde socioemocional dos alunos?

Quanto aos gestores escolares neste processo, o papel é estratégico ao fomentar uma cultura institucional que reconheça o cuidado socioemocional como elemento fundamental no processo educativo, afirma Katia.

A profissional explica que isso envolve o investimento na formação contínua das equipes pedagógicas, estruturação de ações de acolhimento desde o início do ano letivo, bem como na criação de espaços sistemáticos de escuta e diálogo dentro da escola.

É necessário também fortalecer a parceria com os familiares para garantir um acompanhamento mais integrado do estudante.

"Rotinas escolares mais sensíveis, políticas de convivência bem definidas e a valorização do bem-estar no cotidiano escolar contribuem para uma readaptação mais saudável e para um ambiente que favoreça tanto a aprendizagem quanto o desenvolvimento emocional."

Katia Chedid

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Por Lucas Afonso
Jornalista