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A economia na República da Espada

Estratégias de Ensino

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O texto de Machado expõe a euforia causada pela política econômica adotada por Rui Barbosa.
 

 

Dada como elemento perceptível em diversos âmbitos da vida, a História deve ser trabalhada em sala de aula aproveitando-se dos diferentes elementos que podem revelá-la. Tomando essa premissa, recomendamos aos professores que realizem atividades de revisão que empreguem outras fontes de consideração do passado. Afinal de contas, os infinitos e previsíveis questionários estão longe de explorar a capacidade reflexiva e crítica dos alunos.

 

Tendo como tema os primeiros anos de instalação da República, vemos que o professor deve ter o devido cuidado em assinalar as transformações sociais, políticas e econômicas desse período. No que se refere ao campo econômico, observamos que o novo governo buscava ampliar nossas atividades econômicas por meio de um projeto de concessão de crédito. Nos livros didáticos, essa política de concessão aparece com o nome de “encilhamento”.

Partido dessas informações iniciais, o professor pode discutir por quais motivos a medida de Rui Barbosa ganhou esse tipo de nome. Sob tal aspecto, a pesquisa sobre o termo encilhamento revela que essa palavra se refere ao processo de organização dos cavalos que participarão de uma corrida. Feita tal observação, podemos questionar que tipo de “corrida” seria essa que a política de emissão de ações e créditos provocaria na economia daqueles tempos.

Buscando revelar essa tal “corrida”, sugerimos ao professor a exposição de um trecho da obra “Esaú e Jacó”, do escritor Machado de Assis, que é ambientada nessa mesma época em questão. Realizando a projeção ou a reprodução do texto, indicamos o trabalho com a seguinte parcela da narrativa.

“A capital oferecia ainda aos recém-chegados um espetáculo magnífico. (...) Cascatas de ideias de invenções, de concessões rolavam todos os dias, sonoras e vistosas, para se fazerem contos de réis, centenas de contos, milhares, milhares de milhares, milhares de milhares de milhares de contos de réis. Todos os papéis, aliás ações, saíam frescos e eternos do prelo. (...) Nasciam as ações a preço alto, mais numerosas que as antigas crias da escravidão, e com dividendos infinitos.”

Por meio desse texto, vemos que a política de concessão de crédito gerou uma onda especulativa relacionada à promessa de lucro das mais variadas atividades. Não por acaso, o escritor descreve a capital como um “espetáculo” em que poderia se observar “cascatas de ideias de invenções”. Ou seja, em meio às facilidades de empréstimo, diversas pessoas ofereciam oportunidades de negócio que pudessem atrair os investimentos oriundos desses recursos disponibilizados pela ação do governo.

Sendo assim, podemos ver a existência de uma verdadeira “corrida” em que oportunistas e especuladores procuravam captar o dinheiro desses empréstimos. Em outros casos, tal especulação era percebida na venda de ações na bolsa de valores, onde determinadas empresas tinham suas ações inflacionadas pela promessa de lucro certo e alto retorno. Com isso, observamos um cenário econômico tomado pela euforia de investidores e outros tipos de negociantes.

Por meio dessa observação, é possível discutir se tantas oportunidades de negócio poderiam realmente prosperar. Afinal de contas, o Brasil estava preparado para a abertura de várias empresas e indústrias? Por meio dessa questão, podemos mostrar que a predominância da ordem agroexportadora acabou sendo determinante para que essa política de emissão de créditos acabasse causando uma séria crise econômica ao país.

 

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Brasil Escola

História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

O Barão do Rio Branco foi Ministro das Relações Exteriores do Brasil de 1902 a 1912
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