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Atividades diversificadas para o ensino de Língua Portuguesa

Estratégias de Ensino

As atividades diversificadas são importantes aliadas para o ensino de Língua Portuguesa e deverão estar adequadas aos interesses não só dos professores, mas também dos alunos.
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“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.”

Paulo Freire

Professores de língua portuguesa, como andam suas práticas educativas em sala de aula? Parece uma pergunta simples, mas é provável que muitos de nós se calem diante dessa indagação.

Assim que nos formamos, somos tomados pela empolgação e pela vontade de sermos professores que façam a diferença, professores ávidos por buscar novas linguagens para atingir em cheio nosso público de meninos e meninas. Com o passar do tempo, é muito comum que o discurso se esvazie e que fiquemos acomodados aos recursos que, indiferentes às dificuldades, permanecem ali: quadro, giz, livro didático, papel e caneta. Você, professor, já pensou no quanto o ensino burocrático da língua portuguesa pode causar o desinteresse de seus alunos?

Entende-se por ensino burocrático a famigerada educação bancária, conceito criado por Paulo Freire para definir certas práticas educativas. A educação bancária é aquela em que o professor transmite seu conhecimento como se os alunos fossem apenas receptáculos, eliminando assim qualquer possibilidade de construção de uma educação dialógica. Os alunos não são convidados a conhecer, apenas memorizam, decoram, repetindo um processo mecânico que em pouco contribui para a formação de sujeitos críticos e ativos. Para imaginar o quanto a educação bancária pode ser opressora, basta recorrer aos seus próprios registros enquanto aluno: sempre existe aquele professor que nos marcou negativamente, cuja aula detestávamos especialmente porque nelas éramos meros ouvintes. Recorrendo à memória, acredito que poucos dirão que esse é o modelo de professor que se espera ser.

A educação bancária, conceito criado por Paulo Freire, elimina a possibilidade de construção de uma educação dialógica. Tirinha Mafalda, de Quino
A educação bancária, conceito criado por Paulo Freire, elimina a possibilidade de construção de uma educação dialógica. 
Tirinha Mafalda, de Quino

Todos nós, independente da disciplina que lecionamos, podemos experimentar novas propostas de ensino. Experimentar significa conhecer, pesquisar e analisar. Não basta seguir um método amparado na intuição, naquilo que achamos ser conveniente, atrativo etc. O professor precisa manter-se curioso, um estudioso da disciplina que leciona. O professor precisa, sobretudo, entender que não existe conhecimento estático, precisamos correr atrás de nossa formação para oferecer o melhor para nossos alunos. Claro que existem as adversidades, as intempéries da profissão, mas se deixar acomodar em face desse discurso não contribuirá em nada com nossas ações.

O professor de língua portuguesa tem à sua disposição ferramentas interessantes que podem contribuir em muito com o ensino da disciplina. É importante observar que não é preciso que façamos da aula um espetáculo, mas que façamos dela um acontecimento, um momento importante para que o aluno reconheça que a linguagem é uma atividade e que a língua não é um sistema fechado e acabado, pois está em constante construção. As atividades diversificadas referem-se a tudo aquilo que extrapola o livro didático e as cartilhas, são importantes aliadas no processo de ensino. Estão relacionadas não apenas com os recursos didáticos que escolhemos, mas também com o método que escolhemos aplicar. Ensinar Português desprezando que o aluno é proprietário da língua e que a ela recorre em todos os momentos de interação seria desprezar a própria inteligência do aluno.

Falemos então sobre as atividades diversificadas. Há algum tipo de material ao qual podemos recorrer para melhorar nossas aulas? Professor, para descobrir isso, nada melhor que observar e conversar com os alunos. Não existe uma fórmula pronta, pois não podemos desprezar as variáveis existentes no processo. A aula que “funciona” em uma escola da cidade grande provavelmente não terá sucesso em uma escola de uma comunidade rural. Considerando esses aspectos, fique atento aos anseios de seus alunos. O que eles gostam de ler? Como e o quê esperam aprender? As respostas para essas perguntas virão com a convivência e certamente apontarão para a necessidade de se desenvolver atividades diversificadas. Elas podem estar relacionadas com filmes, livros, revistas, histórias em quadrinhos que interajam de alguma maneira com crianças e jovens etc. Quando os alunos estabelecem um vínculo positivo com a disciplina, em nosso caso com a língua portuguesa, fica mais fácil aprender. Podemos ensinar as normas gramaticais utilizando exemplos que estejam próximos de nossos alunos sem necessariamente recorrermos às regras. Não digo que não seja importante conhecer as regras, mas digo ser indispensável a maneira como ensinamos as regras. O professor pode ensinar gêneros textuais oferecendo aos alunos exemplos interessantes desses gêneros – que sejam interessantes não apenas para o professor, mas também para a turma, eis aí o princípio da educação dialógica. As atividades diversificadas são importantes para que possamos ir ao encontro das necessidades de nossos alunos, e delas dependem em muito a possibilidade de fazer da aula um acontecimento.

Tirinha Mafalda, de Quino. O ensino engessado da língua portuguesa tende a desestimular os alunos, acomodando-os ao papel de espectadores da aula
Tirinha Mafalda, de Quino. O ensino engessado da língua portuguesa tende a desestimular os alunos, acomodando-os ao papel de espectadores da aula

Os alunos também devem fazer parte do processo de ensino-aprendizagem, participando ativamente das práticas educativas para de fato construírem seu conhecimento. Exaltamos Paulo Freire, repetimos à exaustão seu conceito de educação, falamos muito sobre a importância dos alunos construírem seu próprio conhecimento, mas pouco agimos para que a teoria seja posta em prática. O que você tem feito para que seus alunos sintam-se interessados e motivados a estudar? Lógico que o aprendizado é uma via de mão dupla, professores são mediadores entre o conhecimento e os alunos, e não os donos da verdade. Isso pressupõe que a colaboração de nossos estudantes faz-se indispensável, pois de nada adianta um professor cheio de boas intenções, munidos de um repertório interessante de atividades diversificadas, diante de alunos desinteressados, que boicotam seu próprio aprendizado e também o trabalho dos educadores. Professores, lembrem-se de que somos sujeitos sociais, ideológicos, históricos e em processo de formação contínua.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

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