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A origem social da ideologia nazista

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Debata com os alunos sobre os grupos sociais abrangidos pela ideologia nazista.


Quando estudamos determinados movimentos políticos na História, sempre temos o hábito de determinar a genealogia ideológica de tais movimentos com a classe social de seus participantes. Na Revolução Francesa, por exemplo, a condição financeira dos sans-cullotes e da alta burguesia determinaram programas de governo e reivindicações distintas entre esses grupos sociais.

Entretanto, quando falamos a respeito da ideologia nazista, não temos a clara percepção de que seus anseios respondiam à demanda de uma classe social específica. Seu discurso tinha uma natureza heterogênea que tentava mobilizar o maior número de partidários possíveis. Contudo, não podemos nos esquecer de destacar que esse mesmo movimento político trazia consigo a eleição de certos inimigos a serem combatidos.

Para que essa discussão seja inserida no contexto da sala de aula, demonstre aos alunos uma reflexão do historiador brasileiro José Jobson de Andrade Arruda com relação à origem do movimento nazista. Segundo o autor:

“O Partido Nacional-Socialista não é burguês, nem proletário, encontramos, em torno de um grupo de fanáticos, uma massa de hesitantes, de desesperados, de jovens ambiciosos, de proletários intelectualizados de antigos burgueses que não desejavam ver o avanço dos comunistas [...]. A todas essas categorias disparatadas, o nacional-socialismo oferecia um programa heterogêneo, prático e atraente; aos pequenos produtores, a luta contra os grandes proprietários; aos trabalhadores, o trabalho e a manutenção do salário; aos empregados, o freio à racionalização; aos comerciantes, a limitação da concorrência; aos devedores, ‘a abolição da escravidão aos juros’; a todos, a oposição à intervenção estrangeira, a renovação do estado alemão, a vida ‘com honra’, o primado racista da luta contra os judeus.”


Por meio dessa citação, o professor pode inicialmente destacar quais eram os grupos sociais atingidos pelo discurso nazista. É interessante notar que, no texto, essa definição aparece de maneira bastante ampla ao falar de um “grupo de fanáticos” ou “uma massa de hesitantes, desesperados”. Por meio desses trechos, fica claro o descompromisso do nazismo com uma classe social específica. De fato, o nazismo visava atingir a todos aqueles que sentiam os efeitos da grave crise que atingia a Alemanha entre 1920 e 1930.

Com isso, o professor pode destacar que o movimento nazista aparece como uma solução definitiva para a complexa gama de problemas. Para cada caso, havia um tipo de solução adequada. Além disso, mais do que eleger seus partidários, o programa nazista estava bem mais preocupado em circunscrever quais seriam os maiores responsáveis pela ruína do país. Por meio da mesma citação, o professor pode elencar os comunistas e judeus como alguns dos responsáveis pelos problemas da nação alemã.

Dessa forma, os alunos podem entender que o nazismo não simbolizou a vitória de um grupo social que passaria a determinar as ações e medidas que conduziriam o Estado. O triunfo dos nazistas só aconteceu porque, em meio a tantas mazelas, o surgimento de uma solução redentora acabou alimentando as esperanças de uma população arruinada pelo descontrole da economia capitalista.

Se julgar necessário, o professor pode utilizar esse mesmo documento na construção de um roteiro de questões que explore as informações nele disponíveis. Com isso, a capacidade de interpretação dos alunos é valorizada enquanto meio de compreensão do passado. Após a sua realização, permita que os alunos leiam suas respostas e contraponha as opiniões que se mostrem diferentes.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


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