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AIB, ANL e a questão nacional

Estratégias de ensino-aprendizagem

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ANL e AIB: a questão nacional como um ponto central de seus discursos.

Quando falamos do cenário político nacional durante a década de 1930, muitos professores exploram sistematicamente a oposição existente entre os partidários do comunismo e do integralismo. Os primeiros, dados como militantes de esquerda que projetavam uma revolução popular contra Vargas. Os últimos, dados como partidários de um governo de grande autoridade capaz de determinar as melhores escolhas para o futuro do país.

Mostrando a escolha entre a revolução popular e o grande líder, os professores mostram que comunistas e integralistas tinham uma perspectiva política completamente contrária. Além disso, revelam que essa divergência de opinião acabou suscitando a criação de grandes representações partidárias da época: a Aliança Nacional Libertadora, formada pelos comunistas; e a Ação Integralista Brasileira, capitaneada pelos seguidores da doutrina integralista.

Em um primeiro momento, ao expor essas duas correntes políticas de tal modo, os alunos são induzidos a pensar que comunistas e integralistas eram inteiramente apartados do ponto de vista político. No entanto, vale aqui ressaltar que a perspectiva política desses dois grupos não pode ser resumida pela lógica da oposição. Afinal de contas, tanto a AIB quando a ANL tinham a questão nacional como um dos focos centrais de sua ideologia.

Sendo assim, recomendamos aos professores a análise desses dois documentos de época para debater melhor a visão política do período.

[...] uma nação precisa ter perfeita consciência do Princípio da Autoridade. Precisamos de hierarquia, de disciplina, sem o que só haverá desordem [...]. O cosmopolitismo, isto é, a influência estrangeira, é um mal de morte para o nosso Nacionalismo [...]. O direito de propriedade é fundamental para nós, considerado no seu caráter natural e pessoal.
(Manifesto da Ação Integralista Brasileira (AIB), outubro de 1932. In "Saga – a grande história do Brasil", Abril.)

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[...] Marchamos, assim, rapidamente, à implantação de um governo popular revolucionário [...] um governo contra o imperialismo e o feudalismo. A ideia do assalto ao poder amadurece na consciência das grandes massas. Cabe aos seus chefes organizá-las e dirigi-las. Brasileiros. [...] Arrancai o Brasil das garras do imperialismo e dos seus lacaios.
(Manifesto de Luís Carlos Prestes a favor da Aliança Nacional Libertadora (ANL), julho de 1935. In "Saga – a
grande história do Brasil, Abril.)

Ao ler esses dois documentos, vemos que integralistas e comunistas tinham uma grande preocupação em resolver as questões que afligiam o país naquela época. Em ambos os textos, é fácil perceber que a defesa dos interesses nacionais perpassa pela refutação da ação, presença ou intervenção política e ideológica de outras nações. Por um lado, os comunistas falavam sobre a ameaça do “imperialismo”. Do outro, os integralistas alertavam sobre os males que a “influência estrangeira” poderia trazer.

Claro que, ao explorar outras facetas dos documentos apresentados, a turma tem condições de notar as diferenças existentes entre a ANL e a AIB. No entanto, ao ressaltar a dicotomia entre o “nacional” e o “estrangeiro”, vemos que os dois partidos acreditavam que a nação estaria melhor na medida em que evitasse a intervenção de outros países em suas questões. Com isso, podemos mostrar a cena política da década de 1930 de modo mais complexo e à luz dos documentos do mesmo período.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Brasil Escola

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