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As imagens da Revolução Constitucionalista de 1932

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Os cartazes e charges são interessantes instrumentos de reflexão sobre o passado histórico. Ao utilizarmos esse tipo de fonte em sala de aula, o professor deve ter em mente a importância de se desconstruir o poder dessas imagens. As charges e cartazes sempre partem de um grupo ou indivíduo marcado por alguns interesses e perspectivas sobre um fato vivido. Partindo desse pressuposto, podemos dar aos alunos uma interessante sugestão de atividade sobre a Revolução Constitucionalista de 1932.

Para iniciar a discussão, podemos problematizar o referencial estético e histórico que, possivelmente, influenciou a fabricação do cartaz. A revolução foi mobilizada através de uma chamada popular que incitava a população paulista a se voltar contra o governo de Getúlio Vargas. Os exércitos foram convocados através de cartazes que reivindicavam a elaboração de uma constituição que desse fim ao governo golpista instalado por Getúlio Vargas.

Nesse aspecto, seria interessante traçar um paralelo entre os cartazes da Revolução Constitucionalista e do Exército estadunidense da Primeira Guerra Mundial. O apelo nacionalista utilizado pela figura do Tio Sam, convocando o cidadão às armas, foi reinterpretado por um combatente paulista determinado a lutar contra o regime que chegou ao poder com a Revolução de 1930. Entre outros pontos, pode-se destacar como os meios de comunicação da época apresentavam uma notória integração com o cenário internacional.


Convocação do “Exército Constitucionalista de São Paulo” x “Tio Sam” convocando os EUA à 1ª Guerra Mundial.

Uma outra situação a ser problematizada por meio de imagens também pode ser vista por meio do caráter libertário da Revolução Constitucionalista. Em muitos dos cartazes e discursos havia uma preocupação em colocar o levante paulista como uma demanda política de caráter libertário. Na visão dos revolucionários, concordar com o regime de Vargas significava o fim das liberdades democráticas da nação.

Seguindo a mesma linha de comparações, podemos ver em um outro cartaz como a figura feminina que representou a liberdade na Revolução Francesa também aparece no movimento brasileiro. A comparação entre o quadro ”Liberdade guiando o povo” e o cartaz nos demonstra como as imagens e ideais de uma revolução estrangeira do século XVIII serviram de inspiração na justificação ideológica e na simbologia da experiência engendrada no Brasil.

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Cartaz do “Partido Republicano Paulista” x “Liberdade guiando o povo” de Eugène Delacroix.

Ao demonstrar as imagens procure trabalhar com as obras em separado, destacando o contexto histórico no qual cada uma delas foi criada. Ao mesmo tempo, ressalte que a aparente imitação vista entre as obras e os cartazes não nos oferece a conclusão de que os revolucionários paulistas gostariam de ser como os franceses ou norte-americanos. O que de fato ocorre é que as lembranças do passado acabam trazendo a fixação de elementos representativos que circulam em diferentes contextos e épocas.

Fazendo esse tipo de trabalho com imagens, o professor pode cobrar alguma atividade onde seja realizada a percepção crítica de cada um dos alunos. Depois disso, a discussão das análises de cada um pode trazer à tona de que forma ainda hoje somos influenciados por referenciais do passado. Por fim, pode-se mostrar aos alunos de que forma o passado tem o poder de influenciar distintas épocas.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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