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As motivações da Revolução Farroupilha

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Trabalhe a Farroupilha através de seus próprios documentos.


Ao estudarem situações de conflito, muitos alunos ficam presos ao conteúdo limitado de livros didáticos que não se preocupam em refletir tais fatos com maior profundidade. Paralelamente, os professores também se mostram privados da oportunidade de explanar outros recursos que pudessem pavimentar mais seguramente esse processo de apreensão específico.

Sem dúvida, o trabalho com documentos da época é uma das melhores alternativas para que esse evento passado seja observado com maior intimidade. Nesse caso, pretendemos sugerir o desenvolvimento de uma atividade em que os alunos debatam sobre as motivações da Revolução Farroupilha, ocorrida entre os fins do período regencial e os primeiros anos do governo de Dom Pedro II.

No “Manifesto do Presidente da República Rio-Grandense”, documento publicado logo após o início da ação separatista, temos uma rica fonte de informações que podem elucidar a turma sobre a natureza do movimento em questão. A título de recomendação, indicamos ao professor a reprodução e leitura do seguinte trecho a ser trabalhado:

(...) Uma administração sábia e paternal nos teria indenizado de sacrifícios tais e de tão pesadas cargas pela abolição de alguns impostos e direitos! O Governo Imperial pelo contrário esmagou a nossa principal indústria. A carne, o couro, o sebo, a graxa, além de pagarem nas alfândegas do país o dobro do dízimo de que se propuseram aliviar-nos, exibiam mais 15% em qualquer dos portos do Império. Imprudentes Legisladores nos puseram, desde esse momento, na linha dos povos estrangeiros, desnacionalizaram a nossa província e de fato a separaram da Comunhão Brasileira. Pagávamos, todavia, oitenta réis de dízimo dos couros e mais 20% sobre o preço corrente, nós que já íamos vencidos na venda desses gêneros, pela concorrência dos nossos vizinhos, nos mercados gerais. Repetidas Representações de nossa parte sobre este assunto foram constantemente desprezadas pelo Governo Imperial.

Por meio desse trecho, podemos ver que os participantes da Farroupilha não tinham como prioridade maior romper com o governo brasileiro. Não por acaso, o autor do texto tem a preocupação de salientar que “(...) Uma administração sábia e paternal nos teria indenizado de sacrifícios tais”. Ou seja, a revolução aparece aqui como um episódio que reage contra uma insatisfação que, se contornada, evitaria a deflagração do levante.

Nesse ponto, cabe ao professor indagar aos alunos sobre essa tal insatisfação motivadora da Revolução Farroupilha. Realizando a leitura em conjunto ou propondo um roteiro de questões, é possível discutir sobre qual seria a “principal indústria” descrita como “esmagada” pelo Governo Imperial. A partir dessa informação, pode-se notar de antemão que o movimento se consolida em torno de uma questão de natureza econômica.

Prosseguindo na análise documental, o manifesto lança uma série de informações que descrevem o alto valor dos impostos cobrados sobre a carne e todos os derivados de sua exploração. Por conta disso, o texto acusa que, por conta das altas cobranças, o governo foi o principal responsável pela “desnacionalização” da província. Além disso, apontam que os altos encargos acabavam privilegiando a “concorrência dos nossos vizinhos, nos mercados gerais”.

Através dessas informações, o professor pode encerrar o debate problematizando a origem social dos participantes do movimento. Sendo os impostos cobrados sobre a carne o ponto fundamental do conflito, os alunos têm ampla condição de presumir que a Revolução Farroupilha fora organizada pela elite proprietária de terras da região. Sendo assim, fecha-se a explicação do assunto tendo-se levantado os motivos e sujeitos que marcam tal experiência.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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