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Aula sobre sintaxe a partir de um poema de Paulo Leminski

Estratégias de ensino-aprendizagem

O objetivo dessa proposta de aula sobre sintaxe a partir de um poema de Paulo Leminski é discutir a importância das regras gramaticais no ensino e aprendizado da língua portuguesa.
Existem metodologias capazes de aproximar mais efetivamente os estudantes da Sintaxe
Existem metodologias capazes de aproximar mais efetivamente os estudantes da Sintaxe
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Professor, o texto que baseia essa proposta de aula sobre sintaxe foi escrito por Paulo Leminski, poeta famoso por sua linguagem transgressora e inovadora. Além de estabelecer um interessante diálogo entre literatura e gramática normativa, esse poema – que não tem cara de poema – pode dar início a uma discussão pertinente sobre a importância do ensino das regras gramaticais nas aulas de português. Veja o poema:

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Vamos à sugestão?

Sugestão de aula sobre o poema de Paulo Leminski
O assassino era o escriba

1° Passo: Leitura e análise do poema:

Afinal, por que achamos graça desse poema? Como o poeta conseguiu criar efeito de humor no texto? Isso acontece porque nos identificamos com o eu lírico, que, em um acesso de fúria, dá cabo (metaforicamente) do professor de Sintaxe. Quem nunca se sentiu perdido diante de tantas regras? Qual aluno nunca teve vontade de rasgar a gramática? A análise do poema vai mostrar para a turma que até mesmo os grandes escritores padecem com tantas normas impostas pela gramática normativa.

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2° Passo: Discuta a importância do emprego das nomenclaturas gramaticais para a construção da ironia no poema:

O autor escolheu minuciosamente os termos da análise sintática que empregou no poema. Essas escolhas foram cruciais para o efeito irônico, já que, ao explorar as nomenclaturas de maneira ambígua e fazer uso da metalinguagem, o poeta mostra o quão torturante pode ser o ensino da língua portuguesa. Mas será que precisa mesmo ser assim? Esse é o tópico do próximo passo.

3° Passo: Debate sobre o ensino da língua portuguesa e a importância das regras gramaticais para o aluno:

Professor, deixe que os alunos conduzam a discussão e, a partir de suas falas, observe o que eles pensam sobre o ensino da gramática normativa nas aulas de língua portuguesa. Esse pode ser o momento ideal para repensar metodologias, afinal de contas, o aprendizado das regras não deve ser um martírio para os alunos. Sabemos da complexidade de nossa língua, e é a partir de aulas como essa que podemos encontrar caminhos para facilitar seu ensino.

Você também poderá utilizar o mesmo poema para uma aula mais tradicional. Se assim preferir, acompanhe os tópicos:

  1. Analisar os termos utilizados em análise sintática;
  2. Estudar os elementos do período, principalmente o sujeito e o predicado;

  3. Reconhecer os recursos estilíticos presentes no poema de Paulo Leminski, entre eles a ironia, o duplo sentido e a metalinguagem.

Boa aula!


Por Luana Castro
Graduada em Letras

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