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Cinema e História

Estratégias de ensino-aprendizagem

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O uso de filmes pode incitar a percepção crítica dos alunos em relação aos conteúdos de História.

Para muitos professores de História, o uso de filmes em sala de aula é um verdadeiro provedor de tranqüilidade. A sétima arte, sendo uma das mais consumidas e prestigiadas na contemporaneidade, consegue fixar a atenção de um público bastante heterogêneo. No entanto, o uso desse recurso no cotidiano escolar (e principalmente nos conteúdos de História) exige alguns cuidados que extravasam a simples exibição do recurso audiovisual.

Ao oferecer uma narrativa aos seus espectadores, o cinema tem como principal objetivo fornecer um alto grau de convencimento sobre a história contada. Geralmente fixada por uma história cercada por um “começo, meio e fim” e preocupada em arrebanhar o gosto alheio, um determinado filme privilegia uma única perspectiva. Naturalmente, seria difícil produzir – exceto no caso do filme documentário – uma película que contasse opiniões divergentes.

No entanto, isso não quer dizer que o cinema deve ser visto como uma opção problemática ou limitada. Mesmo aqueles filmes em que o professor de História vê diversos “comportamentos anacrônicos” ou “inverídicos”, existe uma excelente ferramenta de reflexão. Para isso, é de suma importância que o professor tenha a preocupação de contrapor a perspectiva oferecida pelo filme. Utilizando a citação de uma obra sobre o mesmo tema ou o depoimento de um historiador, podemos ver como as idéias sobre o passado se multiplicam.

Realizar esse tipo de operação em sala incita a criação de um esforço analítico até mesmo nos alunos mais resistentes à matéria. O incrível poder de convencimento de um filme pode ser colocado “cara a cara” com as dúvidas e análises de um trabalho historiográfico cercado por outras prioridades. Como resultado, criamos a oportunidade de se desconstruir heróis, desmistificar vilões e questionar o peso das personagens históricas inseridas no contexto de uma época.

Para tanto, o professor deve orientar seus alunos a colocar em dúvida as possibilidades, elogiando a ruptura que suas simples questões causam ao conhecimento oferecido. Lembre aos mesmos de que o passado não está completamente dado a quem quiser conhecê-lo. Cada um “volta no tempo” jogando com as peças que possui e, ao mesmo tempo, dá diferente valor a cada uma delas. Ou seja, tempere o poder da película com os questionamentos que os próprios alunos possam elaborar.

Esse tipo de trabalho pode algumas vezes parecer dispendioso ou muito distante. Por isso, recomendamos que o professor não se preocupe em exibir o filme como um todo. Ao contrário disso, há maior proveito em assimilar os conceitos gerais da matéria para depois colocar o filme em cena. Além disso, o professor pode apenas exibir uma parte ou trechos pré-selecionados que ofereçam maior elo com os objetivos propostos para o tema em questão.

As possibilidades para esse tipo de trabalho são inúmeras e basta ao professor convergir os melhores predicados de um cinéfilo e de um leitor. O interesse na matéria pode aumentar consideravelmente quando as “aulas de filme” deixam de ser um tempo para a diversão gratuita, o cochilo e a paquera entre alunos. Da série “Rocky” ao sutil “Monsieur N.” podemos explorar temas que vão da Guerra Fria à figura mítica de Napoleão Bonaparte.

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Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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