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Dependência econômica: da América Latina ao Brasil

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Os problemas econômicos da América Latina e do Brasil abrem campo para uma rica discussão.

Com o fim do pacto colonial, os vários processos de independência apontam para muitos alunos os problemas que as nações americanas encararam posteriormente. Ao analisarem as revoltas e problemas econômicos enfrentados nesse período, fica fácil perceber que a independência não trouxe consigo as várias (e possíveis) mudanças que pudessem eliminar as penosas condições vividas pelas nações latino-americanas como um todo.

Em tempos de Revolução Industrial, as antigas colônias assumiram um papel econômico muito similar ao que já experimentavam quando tinham suas atividades controladas pela ação metropolitana. Sem condições materiais próprias para atingir o estágio de desenvolvimento das nações industrializadas, notamos que os países latino-americanos continuaram a depender da produção de produtos agrícolas e da importação dos bens industrializados.

Para alguns pensadores, essa situação promoveu uma continuidade histórica que ainda não foi completamente superada. Com o objetivo de salientar essa perspectiva em sala de aula, o professor pode trabalhar com um trecho da obra “As veias abertas da América Latina”, de 1978, onde o intelectual Eduardo Galeano analisa a questão da Divisão Internacional do Trabalho como sendo um tipo de continuidade ao que já vinha acontecendo nas Américas no tempo da colonização.

Com o objetivo de facilitar a compreensão dessa perspectiva continuísta, o professor pode expor para a análise dos alunos o seguinte trecho da obra supracitada:

“Há dois lados na Divisão Internacional do Trabalho: um, em que alguns países se especializam em ganhar e, outro, em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta”

Apesar de criticar uma faceta injusta das relações econômicas, a fala de Eduardo Galeano suscita outras questões relevantes. Afinal de contas, por que esse tipo de situação negativa permaneceu, tendo em vista os seus prejuízos diversos? Por outro lado, podemos dizer que as perdas apontadas por Galeno atingiam as sociedades latino-americanas de uma mesma forma? Para conduzir essas e outras questões, sugerimos que o professor utilize o Brasil como um exemplo para se pensar o tema.

Nessa altura, a fala de Paul Singer no artigo “Brasil: um século de transformações” pode mostrar como a relação de dependência funcionou no contexto brasileiro. Segundo o autor:

"Após a Independência, integramo-nos como exportadores de produtos primários à divisão internacional do trabalho, estruturada ao redor da Grã-Bretanha (...). Isso atrasou o desenvolvimento de nossa economia por pelo menos uns oitenta anos (...). Era do exterior que vinham os bens de consumo que fundamentavam um padrão de vida “civilizado”, marca que distinguia as classes cultas e “naturalmente” dominantes do povaréu primitivo e miserável.”

Nesse último trecho, podemos notar que a reflexão específica sobre a situação historicamente articulada no Brasil aborda detalhes que escapam da fala de Eduardo Galeno. Com a análise de Paul Singer é possível que o aluno veja que a dependência econômica causa uma divisão social que pode ser notada nos diferentes padrões de vida historicamente elaborados. Dessa forma, fica claro que esse papel econômico assumido pelo Brasil beneficia, minoritariamente, uma parte da população.

Para finalizar, buscando articular uma relação entre o presente e o passado, o professor pode pedir para que os alunos tragam uma matéria de jornal que fale sobre o quadro socioeconômico brasileiro contemporâneo. Nesse acaso, peça para que o aluno resuma a informação da matéria de jornal escolhida e cite a informação mais significativa do material recolhido.

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Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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