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Discutindo a América Independente em sala

Estratégias de ensino-aprendizagem

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O relato de Diego Portales abre caminho para outras discussões sobre o continente americano.


No século XIX, o fim das exigências coloniais viria a pautar uma nova fase para a história dos povos americanos. O aluno, por sua vez, ao ver a ação heroica de figuras ligadas a esse processo, como L’Overture e Simon Bolívar, podem reconhecer prematuramente que a Independência da América Espanhola seria o sinônimo de tempos de ampla soberania e a quebra dos antigos entraves que regulamentavam a ordem colonial.

O professor de História, na qualidade de intermediador de debates e reflexões, deve questionar essas reflexões que aparecem em sala. Dessa forma, após estudar o processo de independência e suas personagens, podemos dizer que a América se tornou um lugar melhor para se viver? Pautando essa questão em sala, o docente pode demonstrar que a independência, mesmo tendo seu lado benéfico, não define uma melhora das instituições políticas e da situação social dos povos dessa imensa região.

Partindo desse pressuposto, o professor pode refletir em classe sobre os tais “limites” que o processo de independência hispânico desenvolveu. Nesse ponto, recomendamos a leitura e discussão da reflexão pronunciada por Diego Portales, rico comerciante que ocupou importantes cargos no meio político chileno. Ao destacar sua origem abastada, o professor pode debater seu pensamento político conservador através desta curiosa citação:

“No Chile, a lei não serve para outra coisa a não ser produzir a anarquia e a ausência de sanções [...] Se eu, por exemplo, prendo um indivíduo que sei que está tramando uma conspiração [contra o governo], violo a lei. Maldita lei então que não deixa o braço do governo proceder livremente no momento oportuno. [...] De minha parte, sei dizer que, com lei ou sem ela, essa senhora que chamam de Constituição tem que ser violada quando as circunstâncias são extremas.”

Nesse interessante relato, percebemos que o personagem histórico em questão era completamente cético em relação às instituições democráticas. Ao contrário disso, pensava que o governo deveria ter ampla liberdade para infringir a lei de seu país, representada pela Constituição. Somente assim, segundo sua perspectiva, é que as “conspirações contra o governo” poderiam ser eficazmente combatidas.

Interessante perceber que Portales defendia ações de caráter autoritário. Nesse ponto, o professor pode mostrar para a turma que o fim do pacto colonial e do autoritarismo metropolitano não representaram, de fato, o abandono de tais práticas. Por meio do caso chileno, vemos que, na América Hispânica, o poder se transferiu para as mãos de uma elite que, de acordo com a variação de seus interesses, pensava ser necessário adotar medidas semelhantes às do tempo da colonização.

Dessa forma, retomando um difícil traço presente na compreensão do passado, o professor pode mostrar que uma “mudança histórica” pode estar cercada por várias permanências. Por fim, dada a exibição e análise do depoimento, esse trabalho em sala pode abrir portas para a compreensão do caudilhismo, fenômeno que tem íntima relação com o significado das palavras encontradas neste curioso documento.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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