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Do medievo à modernidade em Dom Quixote

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Debata as transformações entre o medievo e a Idade Moderna através de Dom Quixote.

 


Observar a passagem entre diferentes períodos históricos sempre foi um grande desafio aos professores em suas aulas. Muitas vezes, alguns alunos se equivocam ao pensar que a Idade Média, por exemplo, significou o abandono de todos os valores e práticas depositados durante a Antiguidade. Deste modo, acabam compreendendo o passado através de rupturas radicais, em que uma nova época simplesmente brota do abandono daquilo que era feito no passado.

Ao tratar sobre o nascimento da Era Moderna, esse problema se torna-se ainda quando alguns alunos tendem a acreditar que o período moderno significou a completa negação dos ideais religiosos e da economia agrícola que definiam o modo de vida feudal. De forma bastante maniqueísta, algumas destas interpretações supervalorizam o tempo moderno como uma época de libertação de antigos dogmas e a busca por um mundo completamente inédito.

Para expor a uma turma que tais conceitos não funcionam muito bem dessa forma, sugerimos que o professor realize uma discussão envolvendo a obra “Dom Quixote”, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Naturalmente, através de um breve trecho desse clássico da literatura, podemos ver que o período moderno esteve, ao mesmo tempo, tomado por valores novos e ainda preso a algumas práticas elaboradas ao longo de toda a Idade Média.

Antes de trabalhar com a documentação sugerida, é importante que o professor faça uma breve introdução à vida de Miguel de Cervantes. Além da biografia, recomendamos que o professor falasse um pouco sobre a história desenvolvida em “Dom Quixote”. Mais do que fazer um breve resumo, é importante frisar que este livro teve grande importância histórica ao consolidar o romance como um novo gênero da literatura.

Feita essa explicação, indicamos o trabalho com esse trecho “Dom Quixote”:

“É pois de saber que este fidalgo, nos intervalos que tinha de ócio (que eram os mais do ano)
se dava a ler livros de cavalarias, com tanta afeição e gosto, que se esqueceu quase de todo do exercício da caça, e até da administração dos seus bens; e a tanto chegou a sua curiosidade e desatino neste ponto, que vendeu muitos trechos de terra de semeadura para comprar livros de cavalarias que ler, com o que juntou em casa quantos pode apanhar daquele gênero.[...].”


Nessa pequena descrição, vemos que Cervantes constrói um cenário que demarca bem essa ideia de passagem entre a Idade Média e o tempo Moderno. Dom Quixote é colocado como um nobre alheio às necessidades de seu tempo e das funções classicamente destinadas a um indivíduo com tal origem social. Ao invés de se preocupar com o lucro de suas propriedades ou com a prática da caça, ele se põe a gastar enormes quantidades com os “livros de cavalarias”.

Na história, o gosto de Dom Quixote por uma espécie de literatura “ultrapassada”, coloca-o como um homem deslocado de seu tempo. Com o passar do tempo, o simples gosto estético se transforma em uma estranha opção de vida responsável por transformá-lo em uma figura extremamente cômica. Dessa forma, o herói dessa história revela um mundo em transformação ao tentar compreendê-lo por uma ótica sedimentada em tempos anteriores.

Mais do que uma crítica negativa, a obra de Miguel de Cervantes se torna valorosa ao conseguir expor as passagens e dilemas que inauguram o mundo moderno. Assim como Dom Quixote, os homens desses novos tempos conseguem assumir uma postura inédita que se mistura com antigos valores do tempo medieval. Se assim não fosse, o próprio Miguel de Cervantes seria, como homem moderno, capaz apenas de criar uma história com cenários, questões e histórias inovadoras.

Expondo essas questões, o professor pode continuar essa temática observando a obra de alguns pintores da renascença. Nesse caso, é de grande valia explorar como os pintores dessa época combinavam as novas técnicas que os definiam como artistas modernos, com a exploração de temas religiosos que remetem à Idade Média. De tal forma, com um pouco de paciência e criatividade, o aluno chega a entender as continuidades e descontinuidades dessa época.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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