Filmes para aula de geografia

Algumas sugestões de filmes para aula de geografia são: WALL-E (2008), Terremoto: a falha de San Andreas (2015), Parasita (2019), Pureza (2022) e o documentário Somos Guardiões (2023).

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Os filmes para aula de geografia são uma ferramenta pedagógica que permite dinamizar o processo de aprendizagem e, ao mesmo tempo, apresentar o conteúdo disciplinar através de situações práticas, de maneira a torná-lo mais atrativo e tangível para os estudantes. Levando em consideração os componentes curriculares da disciplina na Educação Básica, bem como a disponibilidade das obras em plataformas de streaming, preparamos uma lista com filmes e documentários que abordam temas diversos tanto da geografia física quanto da geografia humana para enriquecer as discussões com os seus alunos em sala de aula.

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Leia também: Como usar filmes como recursos didáticos?

Filmes para serem trabalhados na aula de geografia

1. WALL-E (2008)

Robô WALL-E em texto sobre filmes para aulas de geografia.

WALL-E é uma animação dos estúdios Pixar e apresenta um planeta Terra absolutamente transformado e desabitado. A ação humana e o consumismo desenfreado fizeram com que a superfície terrestre se tornasse um imenso depósito de lixo. Por causa disso, os seres humanos são retirados em uma imensa nave espacial chamada Axiom, pertencente à empresa Buy-n-Large Corporation (BNL).

Essa mesma companhia deixou robôs responsáveis pela compactação dos descartes e limpeza da Terra, chamados WALL-E (Waste Allocation Load Lifter: Earth Class). Contudo, somente um deles permanece ativo, e esse pequeno robô acabou desenvolvendo uma personalidade própria e sentimentos que podem ser chamados de humanos. Depois de muito tempo solitário, WALL-E recebe companhia: EVA, que tem como objetivo procurar formas de vida remanescentes na Terra.

  • Temas para serem trabalhados: esse filme tem classificação indicativa livre, portanto, aplicável em turmas de diferentes idades. A temática ambiental é central na produção, e, em sala de aula, pode ser desdobrada em diferentes assuntos que são abordados pela geografia como o consumismo, que, inclusive, está relacionado com a globalização da economia e cultural, o descarte irregular de lixo, a sustentabilidade e as intervenções antrópicas no meio natural.
  • Onde assistir: Disney+.

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2. Terremoto: a falha de San Andreas (2015)

O piloto de helicóptero especializado em resgates, Ray Gaines, passava por um momento conturbado de sua vida pessoal quando um forte terremoto atingiu o oeste dos Estados Unidos, resultado da movimentação na Falha de San Andreas. Ray, que havia se divorciado de Emma, com quem teve uma filha, Blake, é chamado para atuar no resgate de vítimas, sendo uma delas a sua própria ex-esposa, que é retirada de um prédio que estava desabando.

Além de Los Angeles, onde viviam Ray e Emma, outras cidades próximas da falha foram afetadas, como São Francisco, para onde Blake havia viajado. Juntos, o antigo casal se desloca em direção à cidade em busca da sua filha. Nesse ínterim, uma série de outros terremotos violentos são produzidos, e o filme gira em torno das catástrofes resultantes dessa sequência de tremores.

Por causa da intensa atividade sísmica, um tsunami atinge a costa oeste dos Estados Unidos, aumentando o estado de calamidade vivido naquela região. Uma das consequências desse conjunto de desastres é o destacamento da Península de São Francisco do território estadunidense, que se transforma em uma ilha.

  • Temas para serem trabalhados: a produção é uma excelente ferramenta para se trabalhar temas da geografia física, como a dinâmica das placas tectônicas e as consequências da sua movimentação sobre o magma terrestre, com a produção de abalos sísmicos. Também é possível trabalhar os efeitos dos terremotos na superfície, evidenciando a relação entre a sua intensidade e os impactos sobre áreas densamente habitadas, como no exemplo do filme. A deriva continental pode, igualmente, ser exemplificada a partir do filme, já que há a separação de uma parte do território.
  • Onde assistir: HBO Max.

3. Parasita (2019)

Vencedor do Oscar de melhor filme no ano de 2020, Parasita é uma produção sul-coreana dirigida pelo célebre Bong Joon Ho. A produção conta a história da família Ki-taek, que habita um bairro pobre da cidade de Seul, e sobrevive com uma renda mensal limitada que tem origem em trabalhos precários. Uma oportunidade de melhorar de vida surge quando o filho, Ki-woo, começa a trabalhar como professor particular de inglês na casa luxuosa da família Park, que habita um bairro nobre da capital sul-coreana.

Com o tempo, todos os familiares de Ki-woo, que são seu pai, sua mãe e sua irmã, passam a trabalhar para os Park. Entretanto, eles começaram nesses empregos escondendo a sua real identidade e formação acadêmica. Uma viagem da família Park e uma visita inesperada da antiga governanta da casa, que relevou que seu marido vivia, até aquele dia, no porão da mansão, mudou completamente o destino de ambas as famílias.

  • Temas para serem trabalhados: o filme evidencia as desigualdades socioeconômicas entre as famílias na Coreia do Sul, o que se estende para a organização da nossa sociedade como um todo. Essas desigualdades são refletidas na organização do espaço urbano de Seul e na maneira como as famílias são atingidas por eventos como fortes chuvas, que deixaram a família de baixa renda desabrigada, mas que representaram um ciclo de renovação para a família rica. Nesse sentido, o filme auxilia a tratar de temas como a desigualdade socioeconômica, a segregação socioespacial nas cidades, a resiliência climática e os desastres ambientais no meio urbano.
  • Onde assistir: Globoplay, Netflix, Prime Video.

4. Vidas Secas (1963)

O filme Vidas Secas é baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos, e foi dirigido pelo cineastra brasileiro Nelson Pereira dos Santos. Ele acompanha a vida de uma família de retirantes formada por Fabiano (pai), Sinhá Vitória (mãe), seus filhos, que são chamados apenas de “menino mais novo” e “menino mais velho” e a cadela Baleia. Acometidos pela seca do semiárido nordestino, eles atravessam a caatinga em busca de um lugar para se instalarem e descansarem, chegando até uma fazenda aparentemente abandonada.

Vaca magra em paisagem árida do Sertão, cenário de Vidas Secas, filme para aulas de geografia.
O filme Vidas Secas é ambientado no Sertão e pode ser usado para estudar aspectos naturais e socioeconômicos da região.[2]

Com a chuva e a retomada da vida, o dono da fazenda retorna e Fabiano consegue um emprego no local. O longa retrata o cotidiano da família e as dinâmicas sociais que permeiam os locais por onde transitam, marcado pela miséria, pelas dificuldades, pelos sonhos escassos e a necessidade constante de recomeços, já que, depois de um período, a seca se impõe novamente e força o deslocamento da família.

  • Temas para serem trabalhados: a obra se passa no Sertão, onde o bioma caatinga é predominante e o clima semiárido se faz presente, com uma estação seca pronunciada que rege a dinâmica produtiva da região. O filme deixa esse movimento em evidência, e pode ser usado para o estudo dos aspectos naturais e socioeconômicos do Semiárido do Nordeste. A transumância, ou migração sazonal, é outro tema de trabalho possível de ser explorado a partir de Vidas Secas, assim como as consequências da seca no Nordeste e as questões sociais e econômicas atreladas a ela.
  • Onde assistir: Netflix, Telecine (Prime Video e Globoplay).

5. Capitão Phillips (2013)

Baseado em fatos, o filme Capitão Phillips conta um episódio da carreira do marinheiro Richard Phillips a bordo do navio MV Maersk Alabama, capitaneado por ele. A embarcação fazia o trajeto de Omã, no Oriente Médio, até o Quênia, na costa oeste africana, devendo passar pelo Golfo de Áden, próximo da região conhecida como Chifre da África. Essa é uma área perigosa para os navios mercantes, principalmente, haja vista a intensa atividade de piratas somalis na região. Todos a bordo estavam cientes das adversidades, sobretudo o capitão, que notou que seu navio estava sendo seguido por duas embarcações pequenas.

Durante a realização de um teste de segurança, o navio foi invadido e sequestrado por quatro piratas somalis liderados pelo jovem Abduwali Muse. Muse é natural da Somália, e vinha de uma família pobre, sendo o mais novo de 12 filhos. Hoje, cumpre pena por pirataria em uma prisão estadunidense.

  • Temas para serem trabalhados: a obra pode ser utilizada em aulas sobre a África para tratar de temas como as desigualdades socioeconômicas e a pobreza naquele continente, enfatizando a região do Chifre da África e países como a Somália que, hoje, é o terceiro país mais pobre do mundo. A logística do comércio internacional e as principais rotas comerciais do mundo são, igualmente, temáticas que podem ser levantadas a partir do filme.
  • Onde assistir: HBO Max, Apple TV, YouTube Filmes, Google Play Filmes e TV.

6. Pureza (2022)

O filme brasileiro estrelado pela atriz Dira Paes conta a história de Pureza Lopes Loyola, uma mulher residente do estado do Maranhão e mãe solo de Abel. Como forma de melhorar a vida de ambos, Abel partiu em busca de trabalho em um garimpo da região. Contudo, falta de comunicação e ausência de notícias preocupava sua mãe, que partiu em busca do filho.

Pureza, então, iniciou uma longa trajetória na qual descobriu uma série de fazendas que se utilizavam de trabalho análogo ao da escravidão como mão de obra e diferentes outros problemas e questões socioambientais. Nesse ínterim, ela acabou ingressando para trabalhar em uma das propriedades e poder acompanhar de perto a vida que acreditava que seu filho estava levando.

O filme é baseado em fatos, e os esforços de Pureza auxiliaram na criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do Ministério do Trabalho, que atua no combate ao trabalho escravo no Brasil desde 1995.

  • Temas para serem trabalhados: Pureza é um filme que oferece um amplo leque de temas possíveis de serem trabalhados nas aulas de geografia, em turmas com idade superior a 14 anos, classificação indicativa da obra. Dentre eles estão o trabalho escravo moderno e a mineração, preferencialmente o garimpo (legal e ilegal, destacando a diferença entre eles), assim como impactos sociais e ambientais dessa atividade nos biomas brasileiros, com ênfase na Amazônia.
  • Onde assistir: Telecine (através das plataformas Globoplay e Prime Video).

Veja também: Desmatamento na Amazônia — como discutir o tema em sala de aula

Documentários para aula de geografia

  • Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá (2006): esse é um documentário bastante conhecido pelos professores de geografia, mas sua recomendação é sempre válida. Ele aborda um dos temas centrais da obra de Milton Santos, que é a globalização e a forma como ela incide sobre os países terceiro-mundistas. Ele pode ser encontrado no canal Box Brazil Play, dentro da assinatura do Prime Video.
  • Somos Guardiões (2023): o desmatamento ilegal na Amazônia, ocasionado de forma intencional por agentes econômicos, os conflitos pela terra, como aqueles resultantes da grilagem, e a importância dos chamados Guardiões da Floresta para a preservação da Floresta Amazônica é o tema central desse documentário protagonizado pela liderança indígena Puyr Tembé e pelo guardião Marçal Guajajara. O longa está disponível na Netflix.
Rosto de um indígena em cartaz do documentário Somos Guardiões, um filme para aulas de geografia. [imagem_principal]
O documentário Somos Guardiões está disponível na Netflix. (Créditos: Instagram @weareguardiansfilm | Reprodução).
  • O Dilema das Redes (2020): a maneira como as redes sociais, principais vias de comunicação do mundo moderno, são construídas para nos manter viciados nas telas é o tema central desse documentário. O vício implica mudança de comportamento e transformação da opinião, o que resulta em consequências em diferentes áreas da vida cotidiana, do meio político e social. O documentário é original da Netflix.
  • Ilha das Flores (1989): comumente tratado como um documentário, Ilha das Flores retrata o destino do lixo e a sua relação com as desigualdades socioeconômicas, a extrema pobreza e a fome, o que faz com que muitos seres humanos sejam tratados como sendo inferiores aos bichos. É muito importante ressaltar que os moradores retratados protestaram contra a produção, afirmando se tratar de um filme de ficção que não retrata a sua realidade. Ele está disponível no Globoplay e no Prime Video com a assinatura do canal Telecine.
  • Quer que eu saia? (2024): documentário com um tema que tem sido cada vez mais debatido na mídia brasileira, mas que é um velho conhecido dos grandes centros urbanos do Brasil e do mundo: a aporofobia. Essa questão, no documentário, é abordada a partir da perspectiva espacial, trazendo como ponto principal a arquitetura hostil. O direito à cidade, os modelos de urbanização e as desigualdades socioeconômicas no meio urbano estão entre os assuntos que podem ser trabalhados a partir desse documentário. A produção pode ser assistida no canal Box Brazil Play dentro da assinatura do Prime Video.

Créditos das imagens

[1] Wikimedia Commons

[2] Wikimedia Commons

Fontes

ARAÚJO, Luiz Antônio. Pureza, a mãe que enfrentou fazendeiros e jagunços para salvar o filho do trabalho análogo à escravidão. BBC News Brasil, 09 fev. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55958335

VALLE, Leonardo. 6 filmes para ensinar geografia física e componentes naturais. Instituto Claro, 06 nov. 2023. Disponível em: https://www.institutoclaro.org.br/educacao/nossas-novidades/reportagens/6-filmes-para-ensinar-geografia-fisica-e-componentes-naturais/

Autor: Paloma Guitarrara
Escrito por Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

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