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Liberalismo x Nacionalismo

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Nacionalismo x Desenvolvimentismo: a oposição que marcou as eleições de 1960.


Na década de 1950, o cenário político brasileiro atingiu um momento agitado e marcado por importantes questões ligadas ao campo econômico. Afinal de contas, retomada a democracia, qual seria o tipo de projeto desenvolvimentista responsável pelo crescimento da nação? Visando responder a essa mesma questão, observamos que o liberalismo e o nacionalismo surgiram enquanto correntes que tentavam projetar o caminho a ser seguido pela economia nacional.

Por um lado, os nacionalistas acreditavam na possibilidade de um desenvolvimento autônomo e não atrelado à entrada do capital internacional no país. Do outro, os liberais defendiam que a entrada desse mesmo capital era necessária para que o país conseguisse superar os seus vários anos de atraso em relação à economia internacional. Aos poucos, esses dois projetos se disseminavam entre os grupos políticos e o restante da sociedade brasileira.

Ao apontar esse cenário para os alunos, é possível demonstrar que a disputa entre liberalismo e nacionalismo não esteve presa ao campo das discussões políticas complexas. Para tanto, sugerimos o trabalho com dois documentos que marcaram as eleições presidenciais de 1960. Naquele ano, o general Lott, apoiado por setores nacionalistas, disputava a presidência do país com Jânio Quadros, que tinha relativa aprovação entre os liberais.

Determinando a exposição de tal contexto, aconselhamos ao professor demonstrar como a rivalidade entre essas duas tendências (liberalismo x nacionalismo) se fez mostrar nas canções utilizadas nas campanhas de Jânio Quadros e do general Lott. Segue abaixo os documentos a serem trabalhados:

"Varre, varre, varre, varre, varre, varre, vassourinha/ Varre, varre a bandalheira/
Que o povo já está cansado/ De sofrer desta maneira/ Jânio Quadros é a esperança deste povo abandonado."


"O povo sabe, sabe, sabe, não se engana/ Essa vassoura é de piaçava americana/
Mas a espada do nosso Marechal/ É fabricada com aço nacional."


Na primeira canção, a figura de Jânio Quadros é associada ao símbolo da vassoura. Evocando a defesa do povo, o jingle prometia que Jânio varreria a “bandalheira” do governo anterior. Sob tal aspecto, o professor pode questionar em atividade qual era esse outro governo e a quem ele apoiava nas eleições de 1960. Mediante essas questões, os alunos perceberão que a campanha de Jânio prometia sanar os problemas econômicos enfrentados pelo país durante o governo de Juscelino Kubitschek.

Dessa forma, observa-se que a canção de Jânio não precisava exatamente a sua posição entre os projetos nacionalista e liberal. Em contrapartida, a propaganda musical de Lott não só fazia menção ao nacionalismo, bem como sugeria que Jânio Quadros estaria comprometido à ideia de abrir o país ao capital estrangeiro. Assim, se colocava como uma alternativa à “piaçava americana” ao cantar que a sua espada era produzida com “aço nacional”.

Trabalhando com esses dois documentos, é possível ver que o nacionalismo e o liberalismo de fato orientavam o discurso político da época. Não se limitando ao campo das teorias que pensavam a nação, a disputa entre as duas perspectivas tiveram grande influência na narrativa das canções trabalhadas. Conforme visto, defender o “interesse nacional” e modernizar com o auxílio do “capital estrangeiro” virou motivo para se compor música.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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