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Literatura e imperialismo

Estratégias de ensino-aprendizagem

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A obra de Conrad permite a discussão das idéias que sustentavam a ação imperialista no século XIX.


Ao falar sobre as sociedades, indivíduos e práticas do passado, o professor apresenta dificuldades para demonstrar como certas idéias funcionavam em determinado tempo. Traduzir aquilo que alguns pensavam há décadas ou séculos requer uma enorme disposição de expor, por meio de todo e qualquer indício, o universo de palavras e valores que indicavam o tão falado “pensamento de uma época”. Em suma, somos lançados ao desafio de nos transformar em intérpretes de uma realidade distante.

No estudo do imperialismo, em especial, temos uma grande necessidade de demonstrar à turma que as motivações desse fato histórico não se limitavam apenas ao conjunto de necessidades econômicas das grandes potências envolvidas nesse processo. Existia uma movimentação de idéias que serviu de suporte na aceitação daquilo que, aos nossos olhos, parece se resumir a um desrespeito à autodeterminação de povos subjugados pela ganância do homem europeu.

Como sugestão capaz de desvendar essa faceta ideológica do imperialismo, sugerimos ao docente de História que promova junto com o professor de Literatura um trabalho com a obra literária “Coração das Trevas”, do escritor Joseph Conrad. Nesse processo de aproximação entre Literatura e História, o historiador tem liberdade para usar uma infinidade de trechos e situações ficcionais dessa obra que permitam a reflexão da ideologia imperialista.

Entre tantas possibilidades, sugerimos o trabalho com um fragmento onde o narrador fala da leitura de um manual sobre a ação do europeu no continente africano. Em dado momento explica:

“Era um texto eloqüente, vibrante (...) Começava com o argumento de que nós, os brancos, em face do desenvolvimento que alcançamos, ‘devemos necessariamente surgir aos olhos deles (os selvagens) como seres sobrenaturais – aproximamo-nos deles com poderes de uma divindade’(...) Fez me estremecer de entusiasmo. Era desmedido o poder de eloqüência das palavras – de nobres palavras inflamadas (...) Ao final daquele comovente apelo (...) incandescia-se diante de nossos olhos, luminosa e terrificante, como um relampejar de um raio num céu tranqüilo: ‘Exterminar todos esses bárbaros’” (p. 78 – 79).


Por mais que essa seja uma obra ficcional, temos na narrativa criada por Joseph Conrad um exemplo capaz de exprimir uma das formas pelas qual a ideologia imperialista ecoava nos ouvidos daqueles que entravam em contato com a mesma. O apelo à ação e o sentimento de superioridade seriam agentes de um estado de comoção que colocavam muitos em favor de tal política. Mesmo quando violenta, a intervenção entre os “selvagens” era transmitida como uma tarefa natural cercada de adjetivos.

Abrindo o espaço para o debate entre os alunos, existe uma possibilidade de discutir comparativamente sobre as justificativas que orientam as intervenções militares dos EUA no mundo contemporâneo. Utilizando de algum discurso oficial que fale sobre a Guerra do Iraque, o professor pode salientar ou contrapor o suporte das idéias para certas ações. Dessa maneira, os alunos podem desvendar novas facetas não antes observadas no estudo do imperialismo e na história contemporânea.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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