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Literatura no ensino de História

Estratégias de ensino-aprendizagem

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História e literatura: diálogos e possiblidades nas aulas de história
História e literatura: diálogos e possiblidades nas aulas de história

Sempre quando fazemos alusões às aulas de história, logo pensamos e lembramos os acontecimentos históricos (seus personagens, as datas), dos intermináveis resumos propostos pelos professores, enfim, uma aula pouco atrativa e nada despertadora de curiosidades.

A história escrita pelos historiadores sempre usufruiu de uma legitimidade discursiva sobre o passado. Em sala de aula, os alunos se acostumaram a tomar como verdade e pensar o fato histórico contado nas aulas de história por seus professores como o que “realmente” aconteceu, poucas vezes ou quase nunca têm a compreensão de que a história que está sendo contada para eles é uma das versões/histórias possíveis sobre o passado.

As aulas de história para o Ensino Médio podem se tornar mais atrativas para os alunos e menos cansativa para os professores.  A partir do momento que propomos renovar o ensino de história, utilizando documentos históricos em sala de aula, abrimos um novo caminho, mais promissor tanto para os professores quanto para os alunos.

Assim sendo, como nós professores poderemos utilizar documentos históricos em sala de aula? Trago como proposta a utilização da literatura como documento histórico. O professor poderá contextualizar o conteúdo que irá trabalhar com seus alunos por meio do texto literário.

Mas, como trabalhar literatura em uma aula de história? A tradição do conhecimento no mundo ocidental nos passou a ideia de que literatura é ficção, realmente é, mas o que prejudicou e ainda desvaloriza a literatura é a crença difundida de que ficção é comparada com aquilo que não é verdade, quase sempre colocada ao lado da mentira, levando o discurso literário ao descrédito.

Primeiramente, veremos como proceder metodologicamente nas aulas de história utilizando a literatura. O professor, antes de abordar o conteúdo histórico a partir da história escrita pelos historiadores, irá familiarizar os alunos com o texto literário, primeiro selecionará trechos do texto literário que ilustra o contexto histórico que será estudado nas aulas (o professor deve se atentar para a linguagem do texto que irá escolher e, no momento da leitura dos alunos, sempre auxiliá-los com dicionários, esclarecimentos sobre os significados das palavras).

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Selecionado o material literário, o professor irá fazer uma contextualização histórica do autor e da obra literária (fazer uma breve biografia do autor, evidenciar o contexto histórico no qual a obra foi escrita e o contexto histórico que a obra retrata). Neste momento a aula de história pode dialogar com a aula de literatura (o professor de história poderá solicitar que o professor de literatura trabalhe em sala com o mesmo autor literário utilizado nas aulas de história, pautando pela interdisciplinaridade).

Após avançar o primeiro passo (contextualização histórica do autor e obra), o professor esclarecerá com os alunos que a obra literária não se trata de uma imaginação do autor, entretanto, deve-se ressaltar que os personagens são fictícios (geralmente em relação aos nomes, muitas vezes o personagem existiu, mas o autor preservou eticamente seu nome), mas que o contexto social, político, cultural e econômico descrito na obra representam o contexto histórico que o professor vai trabalhar com os alunos.

Feita essa primeira “filtragem” dos trechos da obra literária juntamente com os alunos, o professor entrará no 2º passo: organização da leitura dos trechos da obra literária. A organização da leitura será realizada através de um roteiro de análise:

1ª análise externa:

- Qual o nome do autor?

- Em que ano a obra foi escrita?

- O autor viveu durante o contexto histórico abordado na obra?  

- A obra retrata um período anterior ao contexto histórico que o autor viveu?

2ª análise interna:

- Qual contexto histórico que a obra aborda?

- Qual o principal assunto da obra?

- Qual parte achou mais interessante na obra?

Realizado esse procedimento, o professor terá amplas condições de continuar o conteúdo de história com os textos históricos (livros didáticos), poderá utilizar de comparações entre o texto literário e o texto histórico, ressaltando, sobretudo, que o contexto histórico estudado pode ter várias interpretações, e que o passado chega até nós por meio dessas diversas interpretações: literária e histórica. A quantidade de aulas será definida pelo próprio professor.


Leandro Carvalho
Mestre em História

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