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O fascismo e a crença religiosa

Estratégias de ensino-aprendizagem

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A ideologia fascista esteve envolta de uma justificativa de natureza religiosa.


Ao estudar a ascensão dos regimes totalitários na Europa, muitos alunos ficam intrigados com a forma pela qual os integrantes desses movimentos se tomavam pela cartilha ideológica totalitária. A ideia de “superioridade nata” e o alcance de um “destino supremo” parecem estranhos. Além disso, tendo em vista os diversos atos de violência que marcaram esses mesmos regimes, a classe também não consegue entender como tantas pessoas abraçaram esse tipo de visão de mundo em pouco tempo.

Para que possamos entender melhor essa questão do sucesso dos movimentos totalitários, sugerimos que o professor trabalhe com os discursos proferidos pelos grandes líderes dessa época. Com intuito de exemplificar a funcionalidade desse tipo de material, sugerimos o emprego de uma fala do ditador italiano, Benito Mussolini, líder máximo do movimento fascista. Note a seguir, como ele mesmo descreve o significado da ideologia fascista:

“O fascismo não é apenas fundador de instituições. É também educador. Pretende reconstruir o homem, seu caráter, sua fé. Para atingir esse objetivo, o fascismo conta com a autoridade e disciplina capazes de penetrar no espírito das pessoas e aí reinar completamente.” (Benito Mussolini)

Nesse pequeno fragmento, o professor pode delinear algo quase nunca trabalhado quando a ideologia dos movimentos totalitaristas é colocando em questão. Ao notarmos a justificativa de Mussolini, é possível grifar a dimensão religiosa pelo qual o regime fascista era tratado. Mais do que uma simples forma de se conduzir uma nação, o fascismo era cercado por uma função miraculosa que poderia “reconstruir o homem, seu caráter, sua fé”.

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Com isso, o fascismo passou a ser visto com uma espécie de força invisível capaz de modificar o comportamento dos homens e dar origem a uma sociedade renovada. Negando a capacidade dialética do indivíduo, notamos que a crença no fascismo conta com a “autoridade” e a “disciplina” que, depois de aceitos pelos seus seguidores, “penetra no espírito das pessoas” e, logo em seguida, passa a “reinar completamente”. Impossível não assinalar a dimensão sobrenatural manifesta no argumento de Mussolini.

Dessa forma, ao levantar essas questões, o professor de História pode trazer essa perspectiva ao pensamento fascista em contraponto à situação da Itália no pós-Primeira Guerra. Mediante as perdas humanas e o caos econômico que a Itália vivia, as promessas redentoras do fascismo serviram de alento para vários italianos. Sendo assim, propagar uma ideologia transformadora do espírito e das condições materiais vigentes passa a ser uma tentação em meio uma sociedade desolada.

Evitando que o destaque desse aspecto não propague nenhum tipo de generalização, o professor pode fechar a aula com algum relato ou depoimento sobre os opositores do fascismo italiano. Com isso, os alunos também irão perceber que onda totalitarista, vigente na Europa entre as décadas de 1920 e 1940, também enfrentou a oposição de sujeitos históricos que desconfiavam dessas promessas. Temos assim definida a diversidade político ideológica dessa mesma época.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


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