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O nazismo e as gangues contemporâneas

Estratégias de ensino-aprendizagem

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O nazismo tem relativa proximidade com algumas manifestações violentas da contemporaneidade.


Ao falar sobre o regime nazista, muitos professores constroem um seguro quadro de distanciamento em que se coloca tal regime totalitarista como algo inadmissível na sociedade contemporânea. Dessa forma, o nazismo e seus entusiastas são representados como um grupo de indivíduos que cometeram um equívoco que jamais se repetirá no mundo. Contudo, seria possível afirmar que não haja alguma outra manifestação próxima à experiência nazista?

Lançada essa questão polêmica, o professor tem condições de relacionar o comportamento nazista com o problema da violência e das gangues em nosso cotidiano. Nesse sentido, vale salientar que o pensamento nazista se sustentava nas ideias de homogeneidade e superioridade. Especificamente, vemos que o nazismo buscava argumentos e ações que transformavam a nação alemã um em conjunto coeso e portador de qualidade que colocava essa nação a frente das demais.

Para esclarecer essa questão, podemos sugerir a exposição da fala do filósofo Theodor W. Adorno, que além de escrever sobre o tema, também foi uma clara vítima das perseguições do regime nazista. Em um de seus escritos, onde buscava pensar nos significados e repercussões do nazismo, ele elabora o seguinte raciocínio:

Pessoas que se enquadram cegamente em coletividades transformaram-se em algo semelhante à matéria bruta e abrem mão de sua própria liberdade de ação e pensamento. Logo, ao não se verem mais como indivíduos, tem a mesma disposição de tratar os outros como matéria bruta.

Tal situação, que poderia ser exemplificada com ênfase por alguns monstros nazistas, poderá ser observada em grande número de pessoas, como deliquentes juvenis, chefes de quadrilha e similares. (...)

As pessoas dessa índole se igualam, de certa forma, aos objetos inanimados. Logo em seguida, caso consigam, igualam os outros à condição de meros objetos sem vida. A expressão “acabar com eles”, tão popular no mundo dos valentões, como no dos nazistas, revela muito bem essa ideia.
Theodor W. Adorno (ADAPTADO)

Por meio dessa análise, podemos ver que o pensador alemão acredita que o comportamento nazista se encontra ainda vivo nos grupos envolvidos com a violência. Nesse sentido, saliente que nas duas situações a individualidade própria e a de terceiros são simplesmente anuladas à condição de objeto sem vida, opinião ou qualquer outra liberdade. Visando clarear tal questão, o professor pode citar as atrocidades nos campos de concentração como um exemplo desse tipo de situação exposta por Adorno.

No encerramento da aula, o professor pode levantar a similitude presente entre o comportamento nazista e as torcidas organizadas de futebol. Apesar de operarem em contextos diferentes, podemos ver muitas das T.O.’s (Torcidas Organizadas) incentivando a violência como uma forma de se exprimir o “amor pelo time de coração”, que muitas vezes é colocado acima dos valores morais socialmente partilhados e das opiniões próprias.

Caso ache interessante, reserve a próxima aula para exibir alguns trechos mais significativos do filme alemão “A Onda” (Die Welle), de 2008. Nessa produção temos a dramatização de uma história real em que uma turma de jovens estudantes se aproximou dos valores nazistas durante uma experiência conduzida pelo seu professor de História.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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