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O republicanismo no Império

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Os republicanos criticavam a estrutura centralizada que marcou o governo imperial brasileiro.

Estudando a passagem do Império para a República, vemos que muitos professores se focam na insatisfação de determinados grupos para explicar a queda do governo de Dom Pedro II. Nesse sentido, o desgaste do regime imperial ganha uma relevância capaz de encobrir alguns detalhes significativos do movimento republicano, que também se configura nesse período.

Visando combater esse problema, oferecemos ao professor um trecho do “Manifesto Republicano” de 1870, documento que expõe informações bastante significativas. Para esse trabalho, sugerimos que o professor faça uma reprodução para que cada um de seus alunos tenha a devida condição de analisar as ideias a serem expostas. Primeiramente, organize dois momentos de leitura, um individual e outro feito com a participação de todos os alunos. Segue o trecho a ser investigado:

(...) A topografia do nosso território, as zonas diversas em que se divide, os climas vários e as produções diferentes, as cordilheiras e as águas estavam indicando a necessidade de modelar a administração e o governo local acompanhando e respeitando as próprias divisões criadas pela natureza física e impostas pela imensa superfície do nosso território (...). (Manifesto Republicano, 1870)

Em uma primeira leitura, o documento parece mais um tratado de Geografia interessado em ressaltar as diferenças presentes em nosso território. Contudo, cabe aqui questionar porque um documento interessado em discutir a criação de uma república no Brasil viria a falar sobre os climas, recursos hídricos e regiões que integram o nosso território. Mais do que simples informações, tais dados se vinculam a um discurso que define a própria natureza do discurso republicano.

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Ao pensar nas várias regiões do Brasil, o documento reforça o federalismo que assenta a criação da República. Nesse sistema, cada uma das regiões (ou estados) da federação republicana teria autonomia política e administrativa para tratar das especificidades locais que não seriam vistas pelo governo central. Sendo assim, o apontamento das diferenças regionais se mostra como um dos alicerces que justificam a existência do sistema federativo republicano.

Paralelamente, vista essa primeira consideração, podemos também questionar as características do governo imperial frente à proposta republicana. Nesse sentido, observamos que o Império era organizado por um sistema extremamente centralizado, onde o imperador teria autonomia para interferir em questões de ordem local. Sob o ponto de vista republicano, esse tipo de ação expunha o centralismo e o autoritarismo que reforçavam a crítica republicana à manutenção do Império.

Desse modo, ao trabalhar o texto, os alunos têm a clara oportunidade de identificar importantes referenciais que expõem o ideal republicano e as criticas reservadas ao modelo de organização política do Império. Enfim, uma nova oportunidade de compreender as transformações políticas que marcam o fim do século XIX.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Brasil Escola

História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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