O republicanismo no Império

Imprimir
A+
A-
Compartilhar
Facebook
X
WhatsApp
Play
Ouça o texto abaixo!
1x
Os republicanos criticavam a estrutura centralizada que marcou o governo imperial brasileiro.
Os republicanos criticavam a estrutura centralizada que marcou o governo imperial brasileiro.

Estudando a passagem do Império para a República, vemos que muitos professores se focam na insatisfação de determinados grupos para explicar a queda do governo de Dom Pedro II. Nesse sentido, o desgaste do regime imperial ganha uma relevância capaz de encobrir alguns detalhes significativos do movimento republicano, que também se configura nesse período.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Visando combater esse problema, oferecemos ao professor um trecho do “Manifesto Republicano” de 1870, documento que expõe informações bastante significativas. Para esse trabalho, sugerimos que o professor faça uma reprodução para que cada um de seus alunos tenha a devida condição de analisar as ideias a serem expostas. Primeiramente, organize dois momentos de leitura, um individual e outro feito com a participação de todos os alunos. Segue o trecho a ser investigado:

(...) A topografia do nosso território, as zonas diversas em que se divide, os climas vários e as produções diferentes, as cordilheiras e as águas estavam indicando a necessidade de modelar a administração e o governo local acompanhando e respeitando as próprias divisões criadas pela natureza física e impostas pela imensa superfície do nosso território (...). (Manifesto Republicano, 1870)

Em uma primeira leitura, o documento parece mais um tratado de Geografia interessado em ressaltar as diferenças presentes em nosso território. Contudo, cabe aqui questionar porque um documento interessado em discutir a criação de uma república no Brasil viria a falar sobre os climas, recursos hídricos e regiões que integram o nosso território. Mais do que simples informações, tais dados se vinculam a um discurso que define a própria natureza do discurso republicano.

Ao pensar nas várias regiões do Brasil, o documento reforça o federalismo que assenta a criação da República. Nesse sistema, cada uma das regiões (ou estados) da federação republicana teria autonomia política e administrativa para tratar das especificidades locais que não seriam vistas pelo governo central. Sendo assim, o apontamento das diferenças regionais se mostra como um dos alicerces que justificam a existência do sistema federativo republicano.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Paralelamente, vista essa primeira consideração, podemos também questionar as características do governo imperial frente à proposta republicana. Nesse sentido, observamos que o Império era organizado por um sistema extremamente centralizado, onde o imperador teria autonomia para interferir em questões de ordem local. Sob o ponto de vista republicano, esse tipo de ação expunha o centralismo e o autoritarismo que reforçavam a crítica republicana à manutenção do Império.

Desse modo, ao trabalhar o texto, os alunos têm a clara oportunidade de identificar importantes referenciais que expõem o ideal republicano e as criticas reservadas ao modelo de organização política do Império. Enfim, uma nova oportunidade de compreender as transformações políticas que marcam o fim do século XIX.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Brasil Escola