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O tabaco na economia colonial

Estratégias de ensino-aprendizagem

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A cultura do tabaco abre caminho para um outro olhar sobre a economia colonial.

 


Quando falamos sobre a economia colonial, devemos salientar que o processo de exploração organizado pelos portugueses foi tomando diferentes feições ao longo do tempo. Mais que mandar produtos para serem vendidos na Europa, a colônia brasileira foi assumindo diferentes papéis que demonstram a configuração de uma experiência bem mais complexa. De tal modo, cabe ao professor mostrar que a economia colonial não se resumiu ao pau-brasil, à cana-de-açúcar e ao ouro.

Visando facilitar esse processo, indicamos ao professor o trabalho com uma interessante citação do século XVIII, na qual o Marquês de Valença expõe claramente a diversidade econômica da colônia naquela época. Para que a análise seja possível, recomendamos a leitura em grupo do seguinte trecho:

É constante que o tabaco do Brasil é tão necessário para o resgate de negros quanto os mesmos negros são precisos para a conservação da América portuguesa. Nas mesmas circunstâncias se acham outras nações que têm colônias; nenhuma delas se pode sustentar sem escravos e todas precisam do nosso tabaco para o comércio de resgate...

(Instrução dada ao Marquês de Valença por Martinho de Melo e Castro em 10 de setembro de 1779 apud Mafalda P. Zemella, O abastecimento da capitania das Minas Gerais no século XVIII. Adaptado.)

Primeiramente, observamos que o documento expõe a realização da plantação do tabaco em terras brasileiras. Por meio dessa primeira informação, o professor, através da utilização de um mapa, pode expor as regiões em que esse produto foi plantado e quais seriam os usos dessa mesma mercadoria. Seguindo a leitura, apontamos a importância de se explicar quem e onde se encontravam os negros de resgate. De tal modo, revela-se o uso do tabaco brasileiro para a obtenção de escravos no litoral africano.

Sob tal aspecto, vale ressaltar que o tráfico negreiro contava com o ativo papel desempenhado por lideranças políticas africanas, locais que organizavam a captura de escravos. Desse modo, o professor evita que os alunos concluam que os portugueses eram os responsáveis diretos pela apreensão dos africanos que se tornariam escravos no Brasil. Vemos assim, que a obtenção de escravos se articulava por um sistema semelhante ao que organizou a exploração do pau-brasil, no início da colonização.

Feita essa comparação, o discente demonstra que outras culturas agrícolas integraram o desenvolvimento da economia colonial. E que, no caso do tabaco, essa mercadoria era de suma importância para a realização das trocas comerciais que garantiam o fornecimento de escravos para a América Portuguesa. De tal modo, os alunos perceberão que o Brasil passou a ser indispensável na aquisição dos escravos que seriam empregados em nossas próprias terras.

Certamente, essa é somente uma das várias possibilidades de trabalho envolvendo os conteúdos relacionados ao Brasil Colônia. Nas últimas décadas, uma volumosa produção acadêmica vem revisitando diversos temas ligados a essa época, trazendo uma nova luz que, muitas vezes, ainda não atinge o universo dos livros didáticos em sua totalidade. Dessa forma, cabe a constante atualização do professor com relação ao mesmo tema.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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