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Opulência e repressão no período regencial

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Durante o governo de Feijó observamos a eclosão de várias revoltas pelo Império.

A saída de Dom Pedro I do governo foi um evento de grande importância para o desenrolar da história política brasileira. Pela primeira vez, lideranças políticas brasileiras assumiam diretamente as instâncias fundamentais do Estado. Contudo, essa conquista veio seguida por uma série de contendas e revoltas que determinaram a instabilidade experimentada entre os anos de 1831 e 1840.

No plano político, vemos que a elite assume a nação preocupada em garantir a conservação de seus interesses políticos. Entretanto, os membros dessa mesma elite desenvolvem uma acalorada disputa sobre as formas de organização política vigente. Por um lado, os liberais exaltados defendiam a delegação de poderes às províncias como meio de aprimoramento da administração. Por outro, os liberais moderados apoiavam a manutenção dos instrumentos centralizadores da monarquia.

Enquanto tal dilema ocorria, várias regiões do país se afundavam em revoltas que demonstravam a insatisfação de vários grupos contra o desmando político e a crise econômica predominantes. De fato, as rebeliões poderiam manifestar a urgente resolução de problemas de ordem socioeconômica que atingiam parcelas significativas da população.

Contudo, qual foi a resposta do governo regencial para essa complicada situação? Visando responder a essa questão, indicamos ao professor o trecho de um discurso proferido por Diogo Antonio Feijó, em 1836, quando ocupava a função de regente. A respeito das rebeliões, ele faz a seguinte constatação:

“Nossas instituições vacilam, o cidadão vive receoso, assustado; o governo consome o tempo em vãs recomendações... O vulcão da anarquia ameaça devorar o Império: aplicai a tempo o remédio.”

Por meio da leitura desse discurso, podemos observar de perto a situação contraditória experimentada naquele momento. Ao mesmo tempo em que o regente admite a existência de problemas, conclui a sua linha de raciocínio com uma alegoria que interpreta as revoltas como uma simples ameaça ao regime. E, portanto, seria necessário realizar a urgente aplicação de um “remédio”.

Passada essa análise prévia, o professor pode requer à sua turma uma pesquisa em que detalhem as ações empreendidas pelo governo regencial contra as rebeliões da época. Para tanto, será necessária a organização de um quadro com as mais importantes revoltas que marcaram o período. Dividido em colunas, o quadro deverá ser completado com duas colunas perguntando os grupos envolvidos em cada levante e o saldo de cada um destes conflitos.

Ao elencar essas informações, os alunos organizam um conjunto de dados que lhes permite compreender a resposta dada pelas autoridades da época. Possivelmente, os alunos poderão notar que a violência foi empregada como um instrumento mantenedor da ordem vigente. Ao mesmo tempo, se revela os problemas sociais desenvolvidos na época e o distanciamento presente entre as classes políticas dirigentes e as camadas populares.

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Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola