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Repensando o ludismo

Estratégias de ensino-aprendizagem

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O ludismo pode ser visto de uma forma mais ampla através de uma rápida análise documental.


Ao estudar sobre os impactos da Revolução Industrial em sala, o professor tem a excelente oportunidade de explorar os impactos que essa nova forma de produção influenciou no cotidiano dos trabalhadores. Sob tal aspecto, é de grande importância salientar as transformações elaboradas junto às relações de trabalho e as consequentes reações assumidas pelos operários daquela época.

No discorrer de tal tema, muitos alunos acabam minimizando a riqueza de sentidos que se desenhava por detrás do movimento ludista. Grosso modo, os alunos tendem a considerá-lo um movimento desorganizado e desprovido de qualquer outra ideia mais bem elaborada. Mediante tal quadro, o professor pode expor aos alunos um breve depoimento da época, no qual podemos levantar questões pouco acessíveis em uma rápida análise deste movimento.

Em tal caso, recomendamos o trecho de uma reportagem do periódico “Leeds Mercury”, de 1811, onde observamos a seguinte descrição de um levante ludista:

“Os amotinados apareceram de repente, em grupos armados, com comandantes regulares: o chefe deles, seja quem for, é denominado General Ludd, e suas ordens são tacitamente obedecidas como se tivesse recebido sua autoridade das mãos de um Monarca.”


Primeiramente, podemos analisar a época e o lugar da fonte documental analisada. Levantando a informação de que se trata de um jornal britânico do início do século XIX, já reforçamos o fato de que o ludismo teve grande incidência na Inglaterra, país em que os impactos socioeconômicos da Revolução Industrial foram pioneiramente experimentados. Superada essa primeira questão, partimos para a compreensão das informações do pequeno texto.

Já na primeira linha, identificamos que os operários envolvidos com o evento em questão, não se organizavam publicamente. Ao dizer que os “amotinados apareceram de repente”, observamos que o elemento surpresa era um dado fundamental para que as revoltas alcançassem seus objetivos. Paralelamente, devemos salientar que os “grupos armados” tinham como intenção fundamental promover a quebra das máquinas dispostas no ambiente fabril.

Mais adiante, vemos que os participantes chamavam os líderes da revolta pela alcunha, de “General Ludd”. Mas por qual razão? Para responder a essa pergunta, o professor deve recapitular ou explicar que o ludismo surge junto à incógnita figura de um operário chamado Ned Ludd, que teria supostamente, no século XVIII, quebrado as máquinas de seu patrão. De tal modo, observamos a existência de uma figura mítica que constrói o imaginário desse movimento.

Ao fim, podemos ver que o texto jornalístico encerra-se oferecendo mais um importante indício da transição política daqueles tempos. Ainda falando sobre as lideranças da ação ludista reportada, o texto aponta que os operários seguiam as orientações repassadas como se seguissem a “autoridade de um monarca”. Retomando o contexto do século XIX, podemos pensar que a equiparação tem entonação especial, se pensarmos que os valores políticos liberais e antiabsolutistas disseminavam-se pelo continente europeu.

Encerrado o debate e a discussão dos pontos essenciais do documento, podemos assegurar que os alunos terão uma visão um pouco mais ampla e cuidadosa sobre o tema. Ao mesmo tempo, aprimorarão a sua capacidade de interpretação das fontes documentais e o possível diálogo a ser feito com o contexto histórico em que os mesmos apareceram.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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