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Ressaltando as diretrizes mercantilistas

Estratégias de ensino-aprendizagem

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Os princípios mercantilistas singularizaram o cenário econômico europeu na Idade Moderna.


Atualmente, o processo de compreensão do passado não pode ser direcionado pela fala onipresente do professor. Longe de ser uma biblioteca ou uma enciclopédia, nenhum professor de história tem condições plenas de esgotar com maestria todo e qualquer tema histórico. Além desse limite, vale lembrar que esse monopólio do saber pode distanciar os alunos da matéria. A fala dominante do professor, muitas vezes, pode ser interpretada como um atestado da incapacidade que o aluno tem de pensar o passado.

Com isso, faz-se necessário que o professor estipule outras vias de reconhecimento, debate e apreensão daquilo que aconteceu. Para tanto, a exposição de documentos históricos se torna uma ferramenta de grande ajuda para que o aluno reconheça a capacidade própria de enxergar e avaliar o passado. Na maioria dos casos, a apresentação da fonte histórica deixa o processo de aprendizagem muito mais participativo.

Ao falar sobre a Era Moderna, muitos alunos apresentam sérias dificuldades para compreender as diretrizes econômicas que orientavam o mercantilismo. De fato, realizar a relação entre essa forma de organizar a economia e os fatos históricos dessa época nem sempre é uma tarefa fácil. Para que essa operação seja facilitada, deixamos aqui um depoimento de Philipp von Hörnigk, conselheiro econômico do reino da Áustria no século XVIII. Segundo seus apontamentos:

“[...] ouro e prata, uma vez no país, sejam estes provenientes das minas do país ou obtidos de países estrangeiros por meio de indústria, não devem em caso algum [...] ser levados embora, nem tampouco deve ser permitido que sejam enterrados em cofres ou caixas fortes; mas devem ficar perpetuamente em circulação. [...] os habitantes do país deveriam fazer todo esforço de limitar os seus luxos aos produtos domésticos [do país] e [...] dispensar os produtos estrangeiros o quanto possível”.

Nesse pequeno comentário, o professor tem claras condições de problematizar duas práticas da teoria mercantilista. A primeira se refere ao metalismo, tendência em que se recomenda que a economia de um país acumule metais precisos para a cunhagem de moedas e a realização de investimentos diversos no setor econômico. A partir do depoimento, é possível também salientar a prática colonialista, sugerida como alternativa na obtenção desses metais em países estrangeiros.

Por fim, pensando do ponto interno, esse mesmo teórico flamenco recomenda que os habitantes de certo país prefiram comprar as mercadorias produzidas no próprio país. A tal “dispensa” aos produtos estrangeiros indica a defesa de uma balança comercial favorável, em que o país preserva suas economias na medida em que evita a evasão de divisas na compra de produtos importados. Com isso, pode-se destacar o protecionismo como uma política estatal que promovia o consumo das mercadorias nacionais.

Ao fim da exposição do documento, o professor pode encomendar uma pesquisa em que o aluno compare as diretrizes econômicas do passado e do presente. Entre outras questões, ele pode indagar quais são os tipos de riqueza que determinam a prosperidade econômica do país. Além disso, pode indagar sobre como o Estado promove a sua intervenção na economia atual. Se julgar necessário, peça para que eles encontrem alguma notícia que mostre essa ação do governo no cenário econômico.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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