Whatsapp

Saúde: uma análise crítica

Estratégias de ensino-aprendizagem

PUBLICIDADE


Ausência de doenças é somente um aspecto que envolve o conceito de saúde.

Saúde, segundo o mini Aurélio (6ª edição revista e atualizada), significa “Estado daquele cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal”. Assim, podemos dizer que ausência de doença é somente um fator para tal, não significando, necessariamente, que a pessoa esteja saudável, de fato.

Considerando o exposto, é interessante que o professor trabalhe esse conceito, gerando reflexões acerca de quais aspectos podem garantir (ou piorar) a saúde de uma pessoa. No decorrer do processo, ficará cada vez mais claro que a promoção da qualidade de vida mostra-se como um dos aspectos mais relevantes para tal, e a aula pode ser encerrada justamente em torno desta ideia: conceituando o termo “qualidade de vida”, e o que podemos fazer para conquistar esse direito (lembrando que no dia 10 de dezembro é comemorada a criação da declaração Universal dos Direitos Humanos).

Para tal, recomendo algumas notícias que podem ser lidas no primeiro momento da aula, ou estudadas pelo educador, para que suas informações sejam base para as discussões:

Brasil reduz taxa de desnutrição infantil e atinge meta da ONU. Cai o número de crianças com baixo peso ou alturas.

IBGE destaca redução da miséria, mas alerta para desigualdade. Atlas traz panorama social e geográfico do país com dados da última década.

Mortes por diabetes podem dobrar na próxima década, alerta OMS. Organização Mundial da Saúde ressalta as consequências da doença, sobretudo, na população de países menos desenvolvidos.

IBGE: população que usa carro cresce e atinge 47% em 2009. Quase metade da população ainda usa transporte público. Posse de veículos é maior, proporcionalmente, em Santa Catarina.

No País, 77% dos deficientes se sentem desrespeitados.

Estudo revela que acesso a museus é limitado em grande parte do país. Norte tem apenas 146 instituições.

Corpo, corpinho, corpão.

Todas as publicações, apesar de discorrerem sobre aspectos, a priori, distintos, se convergem por apresentarem fatores que interferem na qualidade de vida das pessoas. Um destaque é a questão de que, apesar de índices apontarem melhorias em muitos aspectos, a desigualdade ainda é grande, e se mostra clara ao percebermos que, ao mesmo tempo em que um número significativo de crianças deixou de perder a vida devido à desnutrição, é alta a porcentagem de doenças crônicas, como a diabete, cujas causas estão diretamente relacionadas a um estilo de vida abusivo, como a ingestão excessiva de carboidratos. Isso também aponta para o fato de que melhores condições econômicas também não são, via de regra, garantia para a promoção da saúde.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Um exemplo é o aumento de usuários de carro, ao mesmo tempo em que é frequente o alto número de acidentes e casos de violência no trânsito. Fato esse que também se mostra contraditório ao detectarmos as mudanças substanciais nas cidades para se adaptarem ao fluxo cada vez mais intenso de veículos; enquanto o transporte público é cada vez mais negligenciado, assim como os cadeirantes e pedestres em geral.

Pessoas que aumentaram seu poder aquisitivo, mas sem, no entanto, ter acesso à cultura, ou noção de sua importância, também são temas a se refletir; assim como a situação dos deficientes, que não possuem muitos espaços destinados ao seu entretenimento. Além disso, temos o machismo, a desvalorização da mulher e a completa permissividade que se dá a ofensas que são destinadas àquelas cujo corpo está fora dos padrões estéticos vigentes - e que pode gerar problemas de saúde mais sérios, como distúrbios alimentares e depressão.

Discutir essas questões, com enfoque em dados que informam as conquistas e desafios do Brasil e de seus cidadãos, pode ser positivo na percepção de que atitudes individuais e a luta por melhorias na qualidade de vida das pessoas, de forma equitativa, podem melhorar ainda mais a saúde de nosso país. Considerando que a desigualdade, miséria e violência não têm espaço significativo em um país onde a qualidade de vida impera; almejar tais mudanças pode ser o primeiro passo.

Por Mariana Araguaia
Graduada em Biologia
Equipe Brasil Escola

Biologia - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola