O Dia da Escola é comemorado neste domingo, 15 de março. A data foi estabelecida em referência à primeira escola criada no Brasil, em 1549, na cidade de Salvador (BA), e serve para reforçar a importância da instituição escolar e educação na sociedade.
Diante de uma realidade cada vez mais conectada e digital, o consumo das redes sociais por crianças e adolescentes gera um debate que envolve desafios no processo de ensino e aprendizagem.
O Brasil Escola conversou com Renato Júdice de Andrade, Doutor em Educação e Diretor de Sucesso do Cliente do COC, para comentar sobre o desafio atual das escolas em relação ao consumo de redes sociais para estudar.
Redes sociais como ferramenta de estudo
Para Renato Júdice, plataformas como o TikTok podem chamar a atenção dos jovens estudantes quanto ao interesse por determinados temas, acesso a conceitos e revisão de conteúdos.
Entretanto, é fundamental, em sua perspectiva, compreender que esses formatos curtos não substituem processos de estudo aprofundados. "O principal risco é quando esse tipo de conteúdo passa a ser visto como fonte principal de aprendizagem, já que muitas vezes ele simplifica demais os assuntos ou apresenta explicações sem o devido contexto", afirma. O ideal neste cenário é ensinar aos estudantes modos de utilizar as redes de forma crítica.
A escola e os educadores têm um papel importante em orientar os jovens a questionar, conferir fontes e entender que conteúdos rápidos podem ser um complemento ao conteúdo da sala de aula ou um ponto de partida para o estudo, mas não substituem materiais estruturados, o lado pedagógico do professor e o aprofundamento necessário para provas como vestibulares.
Renato Júdice
Crédito: Divulgação.
As redes devem funcionar como ponto de partida ou ferramenta de revisão dinâmica, pois, o principal risco envolvido é utilizar o conteúdo rápido como um "atalho" para respostas prontas. Renato pondera que isso enfraquece o processo de aprendizagem e reduz a responsabilidade intelectual do estudante.
Apesar dos vídeos conter explicações plausíveis e convincentes, nem sempre elas são academicamente corretas ou complatas, afirma.
O estudante deve desenvolver uma cultura de uso crítico, ser capaz de analisar, checar fontes e sustentar seus próprios argumentos em vez de somente reproduzir o que viu na tela, defente Júdice.
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Riscos ao usar as redes sociais para estudar para o Enem e vestibulares
Antes de tudo é importante ter o cuidado de saber que nem todo contéudo que está nas redes passa por processo de validação pedagógica, enfatiza Renato.
Ao contrário dos materiais pedagógicos, muitos desses vídeos curtos não passam por uma curadoria específica. Embora as explicações e o discurso dos contéudos possam parecer objetivos e convincentes, nem sempre estão corretos.
Diante disso, é necessário que os estudantes adotem uma postura crítica, verificando informações e buscando confirmar os contéudos e materiais confiáveis, aponta Júdice.
O uso mais produtivo, na opinião do especialista, é quando as redes são consumidas como complemento, para revisar conceitos ou ter contato inicial com uma temática.
"As redes sociais podem ser uma importante porta de entrada para o conhecimento, com uma linguagem que se conecta à atual geração, o ambiente de entretenimento e o excesso de informação podem atrapalhar a concentração. Saber equilibrar o uso do digital e o uso de práticas analógicas pode garantir o foco e aprofundamento necessário em provas importantes."
Renato Júdice
Crédito: Shutterstock.
A preparação para o Enem e vestibulares é um processo que exige do vestibulando um aprofundamento cognitivo e concentração diante de um ambiente digital com superexposição de informações.
O material estruturado preserva, na visão de Renato, algo precioso que é a intencionalidade pedagógica, foco no processo de raciocínio, bem como o respeito à capacidade de aprendizagem do estudante. "O diferencial de um estudante hoje não é apenas acessar a informação, que está em todo lugar, mas saber perguntar, filtrar e pensar. Por isso, o papel do professor e o rigor das metodologias de ensino continuam sendo o alicerce de uma preparação de verdade".
Superficialidade do conteúdo
Outro risco indicado por Renato está na superficialidade do conteúdo. Uma vez que os vídeos curtos possuem o objetivo principal de prender a atenção de forma ágil, é comum contar com resumos ou "atalhos" na apresentação de determinados assuntos.
Isso pode ajudar na revisão ou introdução de um tema, mas "dificilmente substitui um estudo mais aprofundado, necessário para consolidar o conhecimento".
Estudar pelas redes sociais pode substituir métodos tradicionais?
Para Renato Júdice, as redes sociais não devem substituir os métodos tradicionais de ensino, uma vez que a aprendizagem é um conjunto de ações que apoiam cada indivíduo em sua jornada estudantil.
Cada canal, seja digital ou analógico, conta com seu objetivo dentro de uma determinada metodologia. Renato explica que a leitura não substitui uma aula, assim como a aula com o professor não substitui o estudo individual do estudante em casa.
Todas as ações de estudo se complementam e é papel das escolas e profissionais da educação possibilitarem uma diversidade de oportunidades de aprendizagem de forma estruturada e organizada.
Dia da Escola - 15 de março
O Dia da Escola, comemorado em 15 de março, é uma data que celebra e reforça a importância da instituição escolar na sociedade, bem como, da educação para o desenvolvimento humano.
A data é uma referência à primeira escola criada em território brasileiro. Ela foi fundada em Salvador (BA), em 1549, período em que os jesuítas eram os principais responsáveis pela educação brasileira.
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[1] J.P. Junior Pereira | Shutterstock
Por Lucas Afonso
Jornalista