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Abordagem do conceito de território

Estratégias de ensino-aprendizagem

O conceito de território mudou nos últimos tempos, eliminando seu caráter de território de fronteiras e limites e passando para uma dimensão de relações de poder.
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Pesquisadores da área do ensino de Geografia, como as professoras Lana Cavalcanti e Helena Callai, vêm alertando sobre a importância de ensinar os conceitos geográficos e não somente os conteúdos em si. Logo, o território entra em ação.

Dentre as diversas concepções de território, as mais difundidas e que marcam a tradição desse conceito são aquelas que enfatizam a sua ligação com relações de poder. Por assim dizer, território é um espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder. Ele pode ser analisado sob três vertentes básicas:

Política ou jurídico-política: o território é visto como espaço delimitado e controlado, através do qual se exerce um determinado poder.

Cultural ou simbólico-cultural: aquele que prioriza a dimensão simbólica e mais subjetiva, em que o território é visto, sobretudo, como produto da apropriação/valorização de um grupo em relação ao seu espaço vivido.

Econômica: enfatiza-se a dimensão espacial das relações econômicas; o território é visto como fonte de recurso ou é incorporado no embate entre classes sociais ou na relação capital/trabalho, como produto da divisão territorial do trabalho.

Em sala de aula, é interessante o professor debater essas questões com os alunos, fazendo uma explanação do que seria território e como ele se configura. A melhor maneira de realizar tal proeza é aproximando-se do cotidiano do aluno. Para isso, é necessário elucidar primeiramente o que é poder, ou seja, explicar que se trata de algo imaterial e simbólico presente nas relações sociais cotidianas.

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Diga aos alunos que em suas próprias casas o poder está em ação, formando territórios. Em cada cômodo da casa as relações de poder são diversas, formando-se territórios diferentes. Por exemplo, historicamente, nos dias da semana, à noite, a mulher é quem detém o poder do controle da televisão, para assistir a novelas, “dominando” assim a sala, que passa a ser o seu território. No final de semana, é o pai quem deterá o poder, pois ele assistirá ao futebol e a programas esportivos. Ou seja, o território tem uma dimensão tanto espacial quanto temporal, podendo ser feito e desfeito a todo o momento.

Outro exemplo interessante é o território dos moradores de rua. A cracolândia é esclarecedora, pois usuários de drogas dominaram e se apropriaram simbólica e materialmente de uma parcela do espaço urbano do centro da cidade de São Paulo. Ali é um território formado e consolidado. Eles podem ser expulsos de uma área X, porém migrarão para uma área Y, formando novamente outro território. Portanto, o território não é meramente um espaço material fixo, mas sim formado por relações de poder.

Conseguindo formar esse conceito geográfico na cabeça dos alunos, conteúdos como industrialização e globalização, por exemplo, serão assimilados facilmente por eles. Tanto no processo de globalização quanto no de industrialização, a formação e a apropriação de territórios foi o objetivo elementar.


Por Régis Rodrigues
Graduado em Geografia

Relações sociais, economia e Estado: um campo de forças que formam um território
Relações sociais, economia e Estado: um campo de forças que formam um território
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