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Dicas de músicas para ensinar História

Estratégias de Ensino

As músicas são uma excelente ferramenta para ensinar História em sala de aula. Por isso, deixamos neste texto algumas dicas de músicas para serem utilizadas com os alunos.
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Uma das grandes facilidades do ensino de História são as diferentes ferramentas que o professor pode utilizar em sala. Uma dessas ferramentas é a música, uma forma importante de conectar o aluno ao que é ensinado. Utilizar música em sala de aula pode ter diferentes efeitos. Um dos mais importantes é o debate que pode ser gerado entre os alunos.

O objetivo central de utilizar a música nas aulas, além de deixá-las menos monótonas, é gerar uma reflexão e um debate em classe sobre o assunto abordado. As músicas podem ser utilizadas na abordagem de assuntos diversos, sejam eles de História Geral, sejam de História do Brasil.

Aqui no Canal do Educador, já abordamos essa questão em momentos específicos que tratavam da Segunda Guerra Mundial e da história de Roma Antiga. Hoje daremos diversas dicas de músicas que tratam de diferentes momentos da história do Brasil e uma dica específica sobre a história dos Estados Unidos.

1) Cálice, de Chico Buarque

A música “Cálice” foi composta por Chico Buarque e Gilberto Gil em 1973, entretanto, só foi lançada em 1978 no álbum “Chico Buarque”. Essa música foi lançada cinco anos depois de ser escrita porque foi alvo da censura da Ditadura Militar. Assim como muitas desse período, essa música contém uma forte crítica à ditadura que governou o Brasil de 1964 a 1985.

A música faz menção a todo o contexto da ditadura, enfocando questões como a tortura e a censura que existiam no país. É importante reforçar que, durante os anos da ditadura, houve no Brasil a ação de agentes do governo que aprisionaram, torturaram e assassinaram cidadãos brasileiros. Havia também a questão da censura, que atingia artistas, jornais, professores, etc.

Em uma análise rápida da letra, destaca-se o termo “cálice”, que, além de representar a dor da tortura, tem sonoridade parecida com “cale-se”, fazendo, assim, menção à censura. Segue abaixo a letra dessa música:

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice
 

De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue
 

Como beber dessa bebida amarga

Tragar a dor, engolir a labuta

Mesmo calada a boca, resta o peito

Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa

Melhor seria ser filho da outra

Outra realidade menos morta

Tanta mentira, tanta força bruta
 

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue
 

Como é difícil acordar calado

Se na calada da noite eu me dano

Quero lançar um grito desumano

Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa

Atordoado eu permaneço atento

Na arquibancada pra a qualquer momento

Ver emergir o monstro da lagoa
 

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue
 

De muito gorda a porca já não anda

De muito usada a faca já não corta

Como é difícil, pai, abrir a porta

Essa palavra presa na garganta

Esse pileque homérico no mundo

De que adianta ter boa vontade

Mesmo calado o peito, resta a cuca

Dos bêbados do centro da cidade
 

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue
 

Talvez o mundo não seja pequeno

Nem seja a vida um fato consumado

Quero inventar o meu próprio pecado

Quero morrer do meu próprio veneno

Quero perder de vez tua cabeça

Minha cabeça perder teu juízo

Quero cheirar fumaça de óleo diesel

Me embriagar até que alguém me esqueça

2) A Change is Gonna Come, de Sam Cooke

Essa música foi escrita por Sam Cooke, um dos maiores nomes do soul music (estilo musical surgido nos Estados Unidos) das décadas de 1950 e 1960. A música de Sam Cooke “A Change is Gonna Come”, cuja tradução significa “Uma mudança está a caminho”, tornou-se um dos grandes símbolos do movimento afro-americano que lutou pela obtenção dos direitos civis durante as décadas de 1950 e 1960.

O movimento dos direitos civis estourou nos Estados Unidos durante a década de 1950 e passou a exigir igualdade dos direitos civis entre brancos e negros nos Estados Unidos. Nesse movimento, alguns nomes destacaram-se, como Martin Luther King Jr., Malcolm X e Rosa Parks. A música de Sam Cooke tornou-se um símbolo por anunciar que uma mudança estava a caminho. Essa mensagem tinha um forte significado, sobretudo naquele contexto de protestos e engajamento social por mais direitos para a comunidade afro-americana.

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Essa música também denunciava as dificuldades e os medos que existiam entre os negros em uma época em que seu país (Estados Unidos) era altamente racista e que havia leis que permitiam a segregação de pessoas com base na cor de sua pele. Essa realidade é claramente perceptível em um trecho que afirma: “eu vou ao cinema e ao centro da cidade, e alguém me diz para não ficar andando por aí”. Seguem abaixo a letra da música e sua tradução:

Letra

Tradução

I was born by the river in a little tent

Oh, and just like the river, I've been running ever since

It's been a long, a long time coming

But I know a change gonna come, oh yes it will

 

It's been too hard living but I'm afraid to die

Cause I don't know what's up there beyond the sky

It's been a long, a long time coming

But I know a change gonna come, oh yes it will

 

I go to the movie and I go downtown

Somebody keep telling me don't hang around

It's been a long, a long time coming

But I know a change gonna come, oh yes it will

 

Then I go to my brother

And I say “brother, help me please”

But he winds up knockin' me

Back down on my knees

 

There been times that I thought I couldn't last for long

But now I think I'm able to carry on

It's been a long, a long time coming

But I know a change gonna come, oh yes it will

Eu nasci à beira do rio em uma tenda

Oh, e assim como o rio, eu tenho corrido desde então

Tem sido um longo, longo tempo para chegar

Mas eu sei que uma mudança está a caminho, sim ela está

 

Tem sido difícil viver, mas eu tenho medo de morrer

Porque eu não sei o que há além do céu

Tem sido um longo, longo tempo para chegar

Mas eu sei que uma mudança está a caminho, sim ela está

 

Eu vou ao cinema e ao centro da cidade

Alguém me diz para não ficar andando por aí

Tem sido um longo, longo tempo para chegar

Mas eu sei que uma mudança está a caminho, sim ela está

 

Então eu vou ao meu irmão

E digo “irmão, me ajude por favor”

Mas ele acaba me batendo

Me colocando novamente de joelhos

Há momentos em que eu pensei que não resistiria por muito tempo

Mas agora eu penso que sou capaz de continuar

Tem sido um longo, longo tempo para chegar

Mas eu sei que uma mudança está a caminho, sim ela está

 

 

Outras músicas que podem ser utilizadas em sala de aula para o ensino de História são:

  • Como nossos Pais, de Belchior: essa música foi produzida por Belchior em 1976 e imortalizada em uma versão de Elis Regina no mesmo ano. A música tem como pano de fundo uma crítica à ditadura militar.

  • Brasil, de Cazuza: essa música produzida por Cazuza e lançada em seu álbum “Ideologia de 1988” tece uma forte crítica aos políticos brasileiros. Foi produzida no contexto da redemocratização do Brasil e critica os políticos e as desigualdades existentes na sociedade brasileira.

  • Um Comunista, de Caetano Veloso, e Mil Faces de um Homem Leal, dos Racionais MC: ambas as músicas tratam de Carlos Marighella, guerrilheiro que atuou na luta contra a ditadura militar. Essas músicas servem como ponto de partida para promover um debate sobre essa figura histórica, vista como herói por uns e como criminoso por outros.

Esse tipo de aula pode ser complementada com alguma atividade para que o aluno identifique uma música que aborda um contexto histórico específico e faça uma análise do que compreendeu sobre a letra escolhida.

 


Por Daniel Neves
Graduado em História

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